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Uma
nova espécie de guerra A probabilidade de que
a vinda da primavera traria uma ofensiva em grande escala foi ampliada
pelas novas medidas de bloqueio adotadas pelos aliados. Para essas medidas
havia, pelo menos, dois motivos discerníveis. O primeiro, naturalmente,
era privar a Alemanha dos meios para a condução da guerra. Mas o segundo
era baseado na esperança de que o perigo de ser lentamente sufocado
forçaria a Alemanha a abandonar sua tática defensiva. Julgava-se em
muitos círculos que o desencadeamento de um ataque pela Alemanha, que
a forçaria a deixar sua posição preparada, seria de real vantagem para
os aliados. Obrigá-la-ia a efetuar esforços mais desmedidos, que rapidamente
absorveriam suas reservas de material; e ao mesmo tempo era esperado
que as forças nazistas, martelando as posições aliadas, extenuar-se-iam
de tal maneira que os aliados, no momento apropriado, poderiam lançar
o contra-ataque que lhes traria a vitória a um custo mínimo. Essa concepção de guerra
defensiva, uma guerra de responsabilidade limitada, tinha o sucesso
dependente de um cálculo acurado do poder dessa defensiva. Mas quando
a Alemanha tomou a iniciativa e desfechou um golpe de sucesso contra
a Escandinávia com uma arremetida arrasadora através dos Países Baixos,
rapidamente se percebeu que os cálculos baseados na experiência passada
tinham de ser lançados aos ventos. A guerra "real", quando estalou,
foi uma espécie inteiramente nova de guerra. Os elementos básicos talvez
fossem os mesmos apresentados nos livros militares, mas o desenrolar
da tática baseava-se em novas armas, e o novo uso dessas armas tornava-a
inteiramente sem precedentes. Para
essa espécie de guerra, os aliados descobriram que ainda não estavam
preparados. Tinham que definir a sua natureza e descobrir uma resposta
aos novos métodos de ataque em meio aos desesperados esforços de suportar
esse ataque com êxito suficiente para evitar o completo aniquilamento.
E, entrementes, eram os nazistas que, com a sua nova técnica, mantinham
a iniciativa. Eles foram capazes de escolher o seu próprio terreno e
campo e de impor ao inimigo, submetido a forte pressão, as condições
de batalha que melhor convinham aos seus propósitos. Em dois meses de
luta, o tamanho do sucesso que obtiveram era em si uma prova de quão
diferente esta guerra era daquela que havia vinte e cinco anos se travara
em grande parte desse mesmo território. Essa
diferença não era inerente, não somente em métodos militares, mas às
amplas conseqüências da luta. Já não eram mais apenas os beligerantes,
e mesmo sequer os pequenos estados pára-choques, aqueles que haveriam
de sofrer as conseqüências do desfecho. Mesmo as nações que estavam
de fora, sem nenhum receio imediato de ataque, despertaram com um choque
à percepção de que isso era algo mais que uma guerra comum por objetivos
limitados. Era uma luta entre duas concepções totalmente diferentes
de vida; e enquanto era certo que o mundo seria transformado pelo fato
da própria guerra, a natureza da transformação que se seguiria a uma
vitória nazista estava começando a tornar-se clara. Seria o fim de um
tipo de sociedade para cuja evolução o mundo ocidental tinha gasto séculos,
e a criação de uma ordem inteiramente nova que imporia seu cunho não
apenas às nações conquistadas mas ao mundo em geral. E quando o mundo
enfrentou essa perspectiva, tornou-se consciente de que estava diante
da ameaça de uma revolução mundial iminente, - ameaça que não mais partia
de Moscou e sim de Roma e Berlim. |
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A
Invasão da Escandinávia A
decisão a que chegaram os aliados, no fim de março, de apertar de modo
mais eficiente o bloqueio da Alemanha foi vista com especial apreensão
na Escandinávia. Havia naturalmente muitas aberturas que os aliados
pretendiam tapar - o petróleo e metais que a Alemanha estava obtendo
dos Bálcãs, os gêneros alimentícios que recebia dos Estados danubianos,
a ampla quantidade de produtos de além-mar que lhe chegavam através
dos Países Baixos. Importantes porém como eram, havia razão para se
acreditar que as questões de interesse mais imediato dos aliados fossem
as relacionadas com o minério de ferro que a Alemanha estava recebendo
da Suécia e o qual era transportado através das águas territoriais norueguesas. Para
essas duas nações, os problemas de neutralidade tinham-se tornado gradualmente
mais difíceis desde que a guerra começara. Ao mais leve indício de que
não estavam completamente subordinadas à Alemanha, a imprensa e o governo
nazistas rompiam em grita ameaçadora. Ao mesmo tempo, a Alemanha na
sua guerra aérea e submarina não fazia esforços para distinguir os navios
suecos e noruegueses dos barcos beligerantes. Até o dia 6 de abril,
52 navios noruegueses, 33 suecos e 28 dinamarqueses tinham sido afundados,
com uma perda de perto de mil vidas. Quando os protestos desses neutros
à Alemanha foram respondidos apenas com novas recriminações, os aliados
naturalmente começaram a achar que tal neutralidade deixava algo a desejar. A
guerra finlandesa tinha por um tempo acrescentado nova complicação a
esse estado de coisas. Com o fim das hostilidades, os Estados escandinavos
ficaram livres dos perigos inerentes dos planos aliados de intervenção
em favor dos finlandeses. Mas o problema geral permaneceu, acentuado
por uma crescente impaciência aliada pelo continuado acesso da Alemanha
aos suprimentos escandinavos; e isto foi expresso pela irradiação de
Churchill a 30 de março, a qual acentuava que os neutros estavam sendo
forçados a suprir uma potência cuja vitória significaria a sua escravidão.
Qualquer dúvida sobre o que essa atitude significava para a Escandinávia
foi removida pela declaração de Chamberlain a 2 de abril, a qual atacava
esse "duplo padrão de neutralidade" e insinuava fortemente que os esforços
que estavam sendo realizados para bloquear a rota escandinava eram apenas
a fase preliminar de operações mais efetivas. E dois dias mais tarde,
falando à União Nacional dos Conservadores e Associações Unionistas,
o primeiro ministro disse: "Embora jamais procuremos infligir danos
ou perdas aos neutros, e embora estejamos ansiosos por guardar todas
as regras, não se pode esperar que permitamos que a Alemanha tire vantagens
indefinidamente dos nossos escrúpulos com o arrancar assistência e conforto
aos neutros. A
esse ponto de vista foi dada expressão oficial nas notas aliadas apresentadas
à Noruega e à Suécia a 5 de abril. Essas notas, de conformidade com
a declaração do sr. Koht a 8 de abril, alegaram que os acontecimentos
dos últimos três meses tinham mostrado a recusa da Alemanha de permitir
que os estados escandinavos dirigissem livremente sua própria política
externa. O resultado foi que a Alemanha, por seu acesso a importantes
matérias-primas, beneficiava-se de vantagens nesses países para desvantagem
e perigo das Potências Aliadas. Isto era algo que os aliados não mais
podiam tolerar. Eles estavam lutando tanto por si próprios como pela
causa das pequenas nações, e não podiam permitir que fossem prejudicados
pelas vantagens que tal situação dava à Alemanha. Tinham, portanto,
que se reservar o direito de tomar medidas que pusessem fim a todas
as práticas que ajudavam a Alemanha ou feriam a causa aliada. As
medidas que tinham em mente referiam-se particularmente à rota do minério
de ferro. Os navios alemães acharam possível viajar de Narvik à costa
norueguesa sem deixar as águas territoriais até chegarem ao Skaggerak
e à guarida dos campos de mina alemães. "Não tem havido", disse Churchill
a 11 de abril, "nenhum impedimento maior ao bloqueio da Alemanha do
que esse corredor norueguês. Foi assim na guerra passada, e tem sido
assim nesta guerra." Durante a guerra passada, os aliados tinham induzido
a Noruega a colocar campos de mina nessas águas; e quando a atual guerra
iniciou, eles procuraram obter da Noruega permissão para colocar suas
próprias minas ali. Mas a Noruega resistiu firmemente a essa exigência;
e a sua virtual rejeição ao pedido aliado, consignada nas notas de 5
de abril, mostrava que nenhuma ação efetiva poder-se-ia esperar de sua
parte. A 8 de abril, os aliados passaram das palavras aos atos. Na manhã
daquele dia, os aliados anunciaram que tinham resolvido "impedir o uso
continuado pelo inimigo de trechos de águas territoriais que lhe eram
de especial valor", e que em conseqüência tinham colocado campos de
mina em três pontos das águas norueguesas. O
governo norueguês protestou imediatamente e exigiu a remoção das minas.
Parecia bem possível que uma grave situação resultasse daí entre a Noruega
e os aliados. Mas antes que isso ocorresse, todo o quadro foi mudado
pela ação da Alemanha. Os
preparativos alemães Desde
o estalar da guerra, a Alemanha se esforçara em manter os Estados escandinavos
firmemente dentro de sua órbita. Devido a razões tanto econômicas como
estratégicas, era-lhe da máxima importância preservar o acesso a esses
países, bem como o evitar que seus adversários conquistassem tanto uma
ascendência diplomática como um ponto de apoio militar na península.
Esse esforço tinha sido aumentado pela guerra finlandesa e possibilidade
de intervenção aliada. Não havia ilusões de que os aliados usariam tal
intervenção para criar uma nova frente contra a Alemanha; e mesmo antes
que os aliados chegassem à decisão de prestar auxílio armado à Finlândia
já a Alemanha tinha iniciado seus preparativos para fazer abortar uma
ação dessa natureza no norte. Quando
chegou a vez de proteger seus próprios interesses às custas dos neutros,
os nazistas pela sua própria natureza gozaram de uma liberdade de ação
que fôra negada aos aliados. Estes tinham baseado sua causa moral na
manutenção da legalidade internacional e na preservação dos direitos
de todas as nações, grandes ou pequenas. Essa posição efetivamente os
impedia de cometer qualquer séria infração da soberania das países neutros.
Podiam invocar a doutrina das represálias para justificar certos atos
extraordinários, como por exemplo a apreensão das exportações alemães
ou o lançar dos campos de mina ao largo da Noruega. Podiam arriscar-se
a uma violação técnica de direitos teóricos num caso extremo, como o
do Altmark. Mas somente uma necessidade premente os faria sacrificar
sua vantagem moral em benefício de exigências militares. A Alemanha,
entretanto, não tinha tais vantagens a perder. Na doutrina nazista,
o bem-estar do Reich era o único padrão moral a ser considerado; e enquanto
a Alemanha podia procurar utilizar contra os aliados os conceitos morais
de democracia que estes alimentavam, sempre que servissem aos propósitos
do Reich, não tinha intenção de deixar-se dominar por tais escrúpulos. No
começo do ano, portanto, a Alemanha se decidiu a impor seu domínio à
Escandinávia, tanto para proteger sua posição como para estender a frente
marítima contra a Inglaterra. Em fevereiro, as medidas preliminares
estavam em pleno andamento e eram reunidos navios para transporte ao
mesmo tempo em que se exercitavam tropas ao longo do Báltico em operações
de desembarque. A anunciada intenção aliada de apertar o bloqueio estimulou
essas medidas e provocou notas de sinistra advertência na imprensa alemã.
Já a 16 de março, o Voelkischer Beobachter acentuara: "Os exemplos da
Polônia e Finlândia mostram com ênfase esmagadora o que acontece aos
pequenos povos quando desafiam as leis de seu espaço vital... A generosa
atitude da Alemanha apresenta-se em flagrante contraste com o sórdido
egoísmo com que a Inglaterra e a França procuram obrigar pequenos povos
a servir os fins de sua estratégia." Ao fim do mês, comentando um discurso
de Churchill, um jornal berlinense inquiria: "Que é a perda de algumas
vidas neutras em comparação com a cínica tentativa de fazer morrer de
fome as mulheres e crianças de toda uma nação? A Alemanha não esquecerá
daqueles que compartilham este assassínio em massa, privando o povo
alemão dos meios legais de defesa." E a 5 de abril, depois de uma conferência
com Goebbels, os diretores dos jornais alemães começaram a prever uma
nova fase da guerra e a aproximação da hora fatal dos neutros. Essa
campanha da imprensa foi sincronizada com a partida de uma expedição
completa contra a Noruega. Embora o lançamento das minas aliadas tivesse
dado ao ataque alemão a aparência de um contra-golpe, a coincidência
era puramente fortuita, já que os navios alemães em alguns casos tinham
partido para o seu destino pelo menos três dias antes. As indicações
de que algo estava acontecendo tornaram-se aparentes a 8 de abril, quando
um transporte alemão apinhado de soldados, o Rio de Janeiro, foi afundado
por um submarino britânico ao largo de Lillesand, e uma flotilha alemã,
informava-se, estava navegando com rumo norte através do Grande Belt.
Mas enquanto o público ainda especulava em torno do significado desses
acontecimentos, a Alemanha desfechava seu golpe. Ao alvorecer de 9 de
abril, numa faixa de mil milhas, suas forças assaltavam a Noruega e
a Dinamarca. A
ocupação da Dinamarca Quando
cruzaram a fronteira dinamarquesa em Flensburg, as tropas alemães transpuseram
o que era quase a última fronteira não-fortificada da Europa. A Dinamarca,
mais ainda do que seus vizinhos escandinavos, sentia-se compelida, em
virtude de seu tamanho e posição estratégica, a depender mais da boa
fé internacional do que de força armada para a sua possível defesa.
Nação de menos de quatro milhões de habitantes, cuja única fronteira
terrestre confinava com o Reich alemão, havia muito ela tinha reconhecido
que não poderia oferecer resistência eficaz a uma invasão; e mesmo suas
recentes confiscações para a defesa aérea eram mais um gesto significando
o desejo de manter sua independência do que uma garantia real contra
a conquista. Como o seu premier tinha dito na irradiação do Ano Novo:
"O povo dinamarquês só tem um caminho a seguir. Temos de prosseguir
no caminho da neutralidade e confiar no valor das promessas e acordos
que conosco foram firmados." O
principal desses acordos era o pacto de não-agressão com a Alemanha.
Em abril de 1939, em resultado da mensagem do presidente Roosevelt pedindo
penhores de paz, Hitler tinha convocado os pequenos vizinhos da Alemanha
para perguntar se eles se sentiam ameaçados, e oferecera-lhes a conclusão
de tratados que pretensamente removeriam quaisquer receios que porventura
alimentassem. Nem a Suécia, nem a Noruega tinham aceito a oferta, em
vista dos exemplos de quão perigoso era para um país pequeno aceitar
qualquer garantia alemã. A Dinamarca, entretanto, julgou que não podia;
de modo algum, arriscar-se a ofender sua despótica vizinha; e a 31 de
maio firmou com a Alemanha um tratado por meio do qual ambas prometiam
que "em nenhuma circunstância recorreriam à guerra ou a qualquer outra
forma de violência uma contra a outra." Era
essa uma garantia débil bastante, em vista dos antecedentes da Alemanha;
contudo, era a única garantia que a Dinamarca possuía. Ela não tinha
aliança e não recebera garantia alguma de qualquer outra nação. Com
os restantes neutros ocidentais, durante anos tinha depositado suas
esperanças na Liga das Nações e na perspectiva de um desarmamento geral;
e quando tudo isso ruiu, somente lhe restou a esperança de que, num
novo conflito, não oferecesse nem ofensas, nem tentações a qualquer
facção que lhe pudesse pôr em perigo a neutralidade. Estava ela ligada
com frouxos laços de cooperação econômica e política ao Grupo de Oslo,
que consistia nas nações escandinavas e nos Países Baixos; mas esses
Estados tinham evitado toda a idéia de aliança militar, por consentimento
mútuo. Quando, em março, a Finlândia obteve da Suécia e da Noruega a
promessa de que um pacto de assistência mútua se seguiria à sua paz
com a Rússia, a Dinamarca foi deixada fora desse projeto, como sendo
mais um passivo do que um ativo; e o próprio projeto desfez-se quando
a Rússia lhe interpôs o veto decisivo. Em resultado, os Estados escandinavos
todos ficaram sozinhos e isolados diante da nova acometida alemã. A
força que a Dinamarca poderia opor a tal acometida era insignificante.
Em teoria, ela podia colocar cerca de 150.000 homens em pé de guerra;
mas a maioria desses homens era deficientemente treinada, e os efetivos
de paz disponíveis não passavam de 11.000 homens. Dificilmente, portanto,
poderia causar surpresa o não ter o invasor encontrado resistência real
alguma. As forças que se lançaram ao assalto em meia dúzia de pontos,
por terra e mar, eram calculadas na ocasião em cerca de 40.000 a 50.000
homens. Apenas a Guarda Real, em Copenhague ofereceu breve resistência,
que foi prontamente dominada. Pelas quatro horas da tarde, o país estava
sob controle alemão. Esse
controle, de acordo com o governo alemão, não era o de um conquistador,
mas sim de um protetor. Numa nota aos governos dos países invadidos,
o Reich alegou que as medidas aliadas de bloqueio constituíam "um golpe
destruidor na concepção de neutralidade". O Reich estava de posse de
provas de que a Inglaterra e a França estavam planejando a invasão dos
países nórdicos, e era claro que esses países não poderiam oferecer
resistência eficaz. A Alemanha interviera portanto "para proteger a
paz do norte contra todo o ataque anglo-francês e obter a sua garantia
definitiva." Em vista desse altruísmo sem exemplos, a Alemanha esperava
que os países em questão compreendessem seus motivos e não lhe oferecessem
oposição. "Toda a resistência", - advertiu-lhes a Alemanha, - "teria
de ser e seria quebrada por todos os meios disponíveis pelas forças
armadas alemães que aqui aportaram, e levaria portanto a uma efusão
de sangue absolutamente inútil." Em
face dessa perspectiva, a Dinamarca não tinha outro recurso senão ceder.
Depois de conferenciar com o seu gabinete, o rei Cristiano deu à publicidade
uma proclamação, também assinada pelo primeiro ministro, aceitando a
situação sob protesto. A população foi solicitado evitar a resistência
afim de se salvar o país dos desastres da guerra. Numa sessão especial
do Parlamento, à tarde, o primeiro ministro fez uma declaração em que
disse: "A Alemanha assegurou-nos que não tinha intenção alguma de violar
a independência e integridade territorial da Dinamarca... Nosso povo
sem dúvida perceberá a necessidade da atitude do governo... Só a Dinamarca,
nada senão a Dinamarca importa agora." Mas
se o reino dinamarquês se mostrou, assim, uma presa fácil, com a Noruega
a coisa foi muito diferente. A
invasão do Noruega As
forças navais alemães que se movimentavam simultaneamente contra seis
portos noruegueses, assim procediam com o conhecimento de que o sucesso
de sua empresa não dependia somente delas próprias. Reforços aguardavam-nas
em vários pontos nos bojos de navios alemães que, chegando à Noruega
ostensivamente com lastro, na realidade ocultavam as tropas e equipamentos
mecanizados destinados à invasão. O elemento de surpresa, acentuado
por essa tática, era uma grande vantagem inicial, permitindo a um punhado
de homens tomar posições essenciais enquanto os noruegueses os olhavam
atônitos. E, como toque final, havia os agentes que esperavam os nazistas
dentro da Noruega e os quais, ao tempo marcado, realizaram as missões
mais importantes que lhes tinham sido confiadas, assegurando assim a
vitória. O
ministro do Exterior da Noruega reduziu mais tarde o alcance deste auxílio
interno e alegou a 6 de maio que ainda estava para descobrir um autêntico
caso de traição. "Pode custar a ser acreditado", disse ele, "mas fomos
tomados de surpresa. Eles vieram sobre nós à noite, enquanto dormíamos."
Há pouca dúvida de que grande parte das conversas sobre quinta-coluna
e cavalos de Tróia era exagerada, e que em muitos casos a surpresa foi
obtida não em conseqüência da deserção norueguesa, mas em resultado
de falsas ordens expedidas pelos próprios nazistas. A cooperação interna,
contudo, de qualquer fonte que partisse, permaneceu como sendo o aspecto
vital de todo o quadro. A confiança mesma com que os navios de guerra
alemães atravessaram os fiordes estreitos e sinuosos, sem se preocupar
com barreiras de minas protetoras ou com o perigo das baterias de costa,
demonstrava a completa certeza que tinham de que o seu caminho já fôra
eficazmente preparado. Em
Narvik, por exemplo, os nazistas foram auxiliados tanto pelas atividades
do cônsul alemão como pela ação do comandante militar norueguês. O primeiro
manejou os fios dos preparativos, inclusive a presença de cargueiros
com o seu carregamento oculto de tropas. O último deixou de tomar as
providências e de emitir as ordens que pudessem tornar a resistência
possível. Dois vasos de guerra noruegueses, surpreendidos no porto de
Narvik, abriram fogo conta os navios alemães quando surgiram à vista
através de forte temporal de neve; mas foram quase que imediatamente
torpedeados, e a própria cidade estava ocupada dentro de meia hora sem
que um só tiro fosse disparado de terra. Em Trondheim, de conformidade
com um comunicado norueguês, os vasos de guerra alemães tinham-se rodeado
de uma flotilha de pequenos barcos noruegueses que impediu os fortes
de Agdenes de abrir fogo. Também neste caso, a cidade foi ocupada sem
resistência; mas o forte de Hegre, ao leste, ofereceu uma resistência
que prosseguiu por toda a campanha subseqüente. Bergen, Stavanger e
Kristiansand foram da mesma forma capturados após uma resistência relativamente
pequena. Era
em Oslo, contudo, que estava a chave de toda a operação. Neste caso
também, uma combinação de surpresa e de falsas ordens reduziu a resistência
ao mínimo. Houve breve luta no aeroporto, e os fortes de Oskaraorg impuseram
curta resistência. Mas mesmo a perda de dois vasos de guerra na passagem
pelos estreitos deixou de paralisar a expedição alemã, que, efetivamente,
ocupou a capital durante a manhã de 9 de abril. As
autoridades norueguesas souberam à meia-noite que navios alemães tinham
entrado no fiorde, e o gabinete se reuniu no ministério do Exterior,
às 5 da madrugada, com as hostilidades já se desenvolvendo, chegou o
ministro alemão para apresentar a nota que informava a Noruega de que
estava sendo tomada sob a proteção benevolente do Reich e exigia a completa
rendição do país ao controle alemão. Com certa relutância, o enviado
alemão permitiu ao ministro das Relações Exteriores, Koht, consultasse
seus colegas antes de receber uma resposta. A resposta foi uma rejeição
imediata, que envolvia a certeza de hostilidade. O governo se transferiu
imediatamente para Hamar e convocou o Storting (Parlamento da Noruega)
para informá-lo dos últimos acontecimentos e receber sua aprovação.
A tarde, já na iminência de um ataque alemão a Hamar, o governo transferiu-se
de novo, dessa vez para Elverum. Nem
todas as possibilidades de acordo, entretanto, haviam sido desvanecidas.
Em Elverum, foi recebido um pedido do ministro alemão, dr. Brauer, para
uma audiência com o rei Haakon. O dr. Brauer era um homem em que o professor
Koht tinha considerável confiança, e parecia possível que novas e mais
aceitáveis propostas fossem apresentadas. O Storting, portanto, concordou
em associar três de seus próprios componentes com o professor Koht,
e o dr. Brauer foi informado de que seria recebido no dia seguinte. Havia
certa dificuldade em torno da audiência, já que os alemães, de modo
mais sem tato, assaltaram Elverum antes que ela se pudesse realizar.
Foi somente a sua recusa em mãos dos noruegueses que capacitou o ministro
alemão a obter a entrevista que tinha solicitado. Ficou demonstrado,
entretanto, que a mesma era inútil. O dr. Brauer informou o rei, e depois
a delegação, de que a mudança de situação obrigava a novas exigências.
A principal destas era a da resignação do atual ministério e do estabelecimento
de um novo governo sob a chefia do major Vidkun Quisling, líder do Partido
Nazista da Noruega. Conquanto o sr. Koht parecesse pronto a considerar
uma mudança governamental que tomasse possível a colaboração com a Alemanha,
essa submissão a um títere desacreditado era uma exigência que ia longe
demais. O rei insistiu em que não poderia nomear um governo que não
gozasse da confiança do povo, e o regime Quisling estaria em pé de igualdade
com o que os russos haviam colocado na região da Carélia após a invasão
da Finlândia. Consentiu em reservar a resposta para depois de consultar
seu governo legal, mas este concordou com a sua decisão, que foi comunicada
ao dr. Brauer na noite de 10 de abril. A pergunta do ministro alemão
sobre se isso significava que a resistência norueguesa continuaria,
a resposta foi: "Sim, o mais demoradamente possível". Havia,
de fato, limites muito sérios à extensão do tempo que a Noruega poderia
esperar manter-se por si própria. Mesmo em condições favoráveis ela
dificilmente poderia reunir mais que 100.000 soldados numa população
de escassos três milhões de habitantes. Tomada de surpresa como fôra,
parecia improvável que mais do que a metade desse número estivesse à
sua disposição. Os alemães, a 11 de abril, tinham talvez 50.000 homens
na Noruega, bem equipados com armas mais leves, ainda que não providos
plenamente de tanques e artilharia pesada. A tarefa imediata dos noruegueses
era opor a maior barreira possível a essas forças modernas e particularmente
evitar que seu corpo principal, em Oslo, estabelecesse junção efetiva
com as guarnições muito mais fracas que tinham ocupado os outros portos
noruegueses. Isso
significava, com efeito, evitar um avanço sobre o norte ou leste do
fiorde de Oslo. A marcha alemã para o oeste pouco mais poderia fazer
do que reforçar o controle de um breve trecho costeiro. A marcha para
o leste entretanto, abriria as comunicações com a fronteira sueca; e
um avanço bem sucedido para o norte logo colocaria os invasores em posição
de cortar o país em dois e consolidar o seu domínio em toda a Noruega
meridional. O
imediato esforço norueguês constituiu, portanto, no traçar de um anel
em torno dos alemães que se lançavam nessas duas direções. A marcha
para o norte seguia pelo vale de Glommen, conduzindo às junções ferroviárias
da Hamar e Elverum e guardado a leste pela fortaleza de Kongsvinger.
A sudeste de Oslo, os alemães desembarcaram tropas à margem oriental
do fiorde e abriram caminho para o interior. Essas eram forças aparentemente
pequenas mas tinham diante de si pouco mais que improvisados destacamentos
noruegueses. A 15 de abril, os alemães proclamaram ter atingido a fronteira
sueca e estar no comando das defesas de ambas as margens do fiorde de
Oslo; e no dia 18, a resistência norueguesa nessa zona parecia ter chegado
ao fim. Entrementes,
os alemães pareciam ter-se ocupado da regularização de seus instrumentos
de autoridade na Noruega. A completa ineficácia do major Quisling mesmo
como títere ficou revelada quando, a 15 de abril, ele foi substituído
por um antigo governador provincial e ministro da Justiça, Ingolf Christensen.
Isto indicava ainda a esperança de que o Reich seria capaz de manter
a ficção de um governo independente a exercer autoridade efetiva e aceitar
a proteção alemã, mas essa esperança rapidamente se desfez. A 19 de
abril, ele recebeu novo golpe quando Hitler ordenou a expulsão do ministro
norueguês de Berlim. E a 24 de abril, a Alemanha anunciou sua soberania
irrestrita sobre os distritos ocupados da Noruega e nomeou um comissário
responsável apenas perante o próprio Hitler. A
área que ela governava, entretanto, era distintamente limitada. As guarnições
nazistas obtiveram pouco sucesso na extensão de seu controle em torno
dos portos ocidentais. Ao norte de Oslo, os alemães exerciam pressão
sobre os vales de montanhas com unidades avançadas, mas o seu controle
além de Hamar era ainda precário. Os noruegueses continuavam a opor
encarniçada resistência, e começava a chegar-lhes socorros de parte
dos aliados. O curso futuro dos acontecimentos dependeria agora do êxito
que a marinha britânica tivesse em cortar as comunicações alemães com
a Noruega e em abrir o caminho para o desembarque de uma força aliada
considerável. As
operações navais As
vésperas da campanha norueguesa, o corpo principal da Home Fleet encontrava-se
em Scapa Flow. Desde a perda do Royal Oak, as defesas desse ancoradouro
tinham sido reforçadas, e a frota havia estado operando daquela base
durante as últimas cinco ou seis semanas. Periodicamente durante esse
lapso os alemães lançavam ataques aéreos contra Scapa, e dois deles
tiveram lugar na semana que precedeu a invasão, além de um reide fracassado
para atingir as Orcades. Mas na última dessas visitas, a 8 de abril,
a frota não mais estava lá. A
razão era a presença no mar de unidades navais alemães. No domingo,
7 de abril, aviões britânicos de reconhecimento avistaram uma divisão
naval alemã, incluindo cruzadores de batalha, rumando para norte ao
largo de Heligoland. Logo que essa informação foi recebida, a frota
pôs-se ao mar em busca do inimigo. Havia todas as perspectivas de que
os navios alemães, mesmo que não fossem alcançados, seriam impelidos
para uma armadilha; é que ao largo da Noruega setentrional se encontrava
no momento poderosa força britânica preparando-se para o cumprimento
da tarefa de espalhar novos campos de mina ao alvorecer do dia seguinte. O
fato dos alemães terem escapado foi devido a uma combinação de boa sorte
e mau tempo. A sorte do destróier britânico Glowworm mostrou quão limitada
eram as possibilidades da frota alemã. Esse navio perdera um homem,
caído ao mar, no domingo, dia 7 de abril, e retardou-se por algum tempo
à sua procura. No dia seguinte estava rumando para norte a fim de unir-se
ao resto da força quando se encontrou com dois destróieres alemães.
Mal se tinha engajado na luta e outro navio surgiu pelo lado norte -
o novo cruzados alemão Admiral Hipper. Antes de poder perceber e informar
que tinha topado com a principal frota alemã, o Glowworm foi posto a
pique, com a perda do grosso de sua tripulação. Novamente,
no dia seguinte, a esquadra britânica roçou as bordas da força inimiga.
Ao romper do dia de 9 de abril, terça-feira, à hora marcada para o ataque
da expedição alemã, o cruzador de batalha Renown avistou através da
tempestade de neve que então caíra ao largo de Narvik o navio de guerra
alemão Scharnhorst, acompanhado do Admiral Hipper. De uma distância
de 16.000 m, o Renown atingiu o Scharnhorst com dois impactos, um dos
quais pôs fora de ação o fire control da belonave alemã; mas o Scharnhorst,
auxiliado pela tempestade e por uma cortina de fumaça lançada pelo cruzador
que o acompanhava, conseguiu escapar-lhe de vista, embora o Renown estivesse
fazendo vinte e quatro nós no mar forte e se tivesse distanciado bastante
de seus destróieres. No decurso da ação, ele foi atingido por uma granada
que o perfurou na altura da linha d'água, mas não explodiu e não causou
baixas a bordo. Contudo,
apesar desses exemplos de boa sorte, os alemães pagaram um preço substancial
em perdas navais pelo sucesso de sua empresa. O saldo final não pôde
ser calculado com precisão. A afirmativa norueguesa de ter afundado
o navio de guerra Gneisenau no fiorde de Oslo era encarada pelos observadores
com certa cautela. Um submarino britânico disputou com as baterias de
costa norueguesas a glória do afundamento do cruzador Karlsruhe. O cruzador
que aviadores britânicos acreditavam ter posto a pique no porto de Bergen
era, de acordo com testemunhas oculares, o Köln, que já tinha sido avariado
por um torpedo. Os alemães admitiram a perda do Blücher e do Karlsruhe,
e parecia certo que o Emden tinha sido afundado por um lança-minas norueguês
e que o Admiral Scheer tinha sido posto fora de ação por um submarino
britânico. Uma autoridade naval britânica calculou as perdas navais
nazistas ao fim da primeira semana em 50% de sua força em navios de
guerra de primeira classe, 33% dos cruzadores pesados, 83% dos cruzadores
leves e 43% dos destróieres. Mesmo se permitindo uma razoável margem
de erros, era certo que a frota alemã tinha sido anulada como força
ofensiva eficiente. O
significado disso, entretanto, poderia ser facilmente superestimado.
A frota alemã de superfície, mesmo na plenitude de sua força, jamais
esteve em condições de desafiar a marinha britânica. Na melhor das hipóteses,
poderia ser uma força de corsários; e mesmo sob esta forma de atividade,
seus sucessos tinham sido tão pequenos que podiam ser considerados desprezíveis.
Se, entretanto, pôde ser utilizada para assegurar a conquista da Noruega
pelos alemães, com as suas perspectivas de bases aéreas e de submarinos
dentro de pequeno raio de alcance da Inglaterra, a perda de um terço
ou mesmo da metade de seus efetivos podia não parecer um preço alto
demais a pagar. Uma vez estabelecidos nessas posições, os alemães podiam
confiar mais na sua força aérea e submarina do que nas belonaves de
superfície para proteger suas comunicações e anular todos os esforços
da potência marítima britânica para desalojá-los. Ficou
demonstrado que os cálculos alemães em ambos os casos, haviam sido feitos
sobre bases bastante razoáveis. Os golpes aliados nas comunicações inimigas
no Skaggerak eram rápidos e vigorosos e suas fases iniciais foram tão
eficazes, que os alemães na Noruega ficaram dependendo em grande parte
do transporte aéreo para a obtenção de reforços. Mas a natureza das
operações aliadas era seriamente limitada pelas circunstâncias. Conforme
Churchill explicou mais tarde, a potencialidade aérea alemã significava
que uma continuada patrulha de superfície naquela zona teria resultado
em perdas capazes de conduzir a um desastre naval. A confiança foi,
portanto, posta num bloqueio submarino completado por minas. Os submarinos
britânicos receberam ordens de afundar todos os navios alemães que se
lhes apresentassem. Foram lançadas minas, não somente no Skaggerak e
no Kattegat, mas também ao longo da costa báltica da Alemanha. Essas
diversas atividades resultaram na perda para os alemães, no decorrer
de três semanas, de pelo menos vinte e oito navios de transporte e abastecimento
e sérias avarias em uma dúzia de outros. Mas mesmo ao preço de tais
perdas, os navios alemães continuavam a circular, e a relativa segurança
de suas comunicações, abalada pelos assaltos iniciais, foi gradualmente
restabelecida. A
possibilidade de desalojar imediatamente os alemães por meio de um ataque
direto também acarretava graves riscos. Embora as guarnições alemães
dos portos fora de Oslo raramente se compusessem no começo de mais que
dois mil soldados, o avanço inicial lhes dera uma vantagem real. Navios
invasores teriam de enfrentar não somente ataques aéreos em águas apertadas
em que havia pouco espaço para manobras, mas também o perigo adicional
representado pelas baterias da costa e pela força naval inimiga emboscada
nos fiordes profundamente recortados. Um ataque a Oslo, como os nazistas
estavam no comando dos fortes, teria sido suicídio. O ataque a Trondheim
foi tomado em consideração, e uma força que incluía tropas canadenses
foi aprontada para a expedição, marcada para o dia 25 de abril. Mas
os êxitos iniciais no desembarque de tropas em Andalsne e Trondheim
decidiram os peritos militares a se concentrarem nesses pontos, de preferência
a um ataque direto a Trondheim, que oferecia riscos de sérias perdas. No
caso de Narvik, a situação se desenvolveu de modo diferente, graças
em grande parte à iniciativa do comandante da flotilha britânica de
destróieres naquela região. A 9 de abril, essa flotilha de cinco navios,
sob o comando do capitão Warburton-Lee, estava patrulhando o fiorde
Ocidental, entre as ilhas de Lofoten e o continente. Fazendo reconhecimentos,
o comandante soube que Narvik já estava firmemente dominada e que sendo
os destróieres nazistas dos maiores e mais modernos - força que teria
quase o dobro da potência de fogo da divisão britânica - se encontravam
no porto. Ao saber dessa situação, o Almirantado, se bem que particularmente
ansioso por destruir os navios de abastecimento que acompanhavam a expedição
alemã, hesitava em ordenar um ataque. Mas quando foi dito ao capitão
Warburton-Lee que ele próprio deveria ser o único juiz, e que o Almirantado
o apoiaria fosse qual fosse a sua atitude, pouca dúvida poderia haver
sobre o que sucederia. Às
primeiras horas de 10 de abril, a flotilha iniciou a penetração do fiorde.
Esperava com certeza encontrar o canal minado e o porto defendido pelas
baterias de terra. Nevava tão fortemente que, como um oficial informou,
"Jamais vimos nenhum dos lados do fiorde, exceto no começo, quando quase
o abalroamos uma vez". Sua entrada aparentemente pegou as forças alemães
completamente de surpresa, pois que foram capazes de afundar os navios
de abastecimento no porto antes de terem sido forçados a retirar pelo
fogo do inimigo mais forte. O destróier Hunter foi afundado; o Hardy
foi atingido tão seriamente que teve de ser encalhado e abandonado (seus
sobreviventes meteram-se terra a dentro e foram libertados quatro dias
mais tarde); o Hotspur ficou avariado, mas conseguiu sair com os restantes
dois navios. Na retirada, coroaram o feito com o afundamento de um transporte
alemão de munições. Deixaram atrás de si um destróier alemão afundado
e três em chamas. Essa
façanha aplainou o caminho para a eliminação da força naval alemã três
dias mais tarde. A 13 de abril, nove destróieres britânicos, acompanhados
pelo couraçado Warspite cuja tarefa era silenciar as baterias de costa,
penetraram em Narvik, onde se encontravam então sete destróieres alemães.
Três destes foram destruídos no decurso de um encontro que durou duas
horas e meia. Os restantes escaparam pela estreita entrada de 16 km
do fiorde de Rombaks rumo ao leste de Narvik, sempre perseguidos pelos
destróieres britânicos. Um dos navios alemães, já gravemente danificado,
foi incendiado; os restantes três foram encalhados e perfurados pelos
respectivos tripulantes, que fugiram para terra. Três dos destróieres
britânicos ficaram danificados durante a ação; mas a força alemã tinha
sido varrida, e com ela desaparecera toda a esperança alemã de reforçar
sua guarnição por mar. Mas
Narvik mesma ainda não estava em mãos aliadas; e embora estivesse, sua
situação longínqua e a carência de comunicações terrestres tê-la-ia
tornado quase inútil como base de operações militares contra as principais
forças alemães. O patrulhamento naval ao largo da costa ocidental evitava
que quaisquer reforços substanciais alcançassem as guarnições de Bergen
e Trondheim. Mas expulsá-las dali exigia a realização de operações militares;
e agora restava a marinha tornar possível o desembarque eficaz de uma
força de efetivo considerável e bem equipada, se se quisesse expulsar
os invasores da Noruega. A
expedição aliada A
própria natureza da situação exigia uma expedição de tal ordem. Teoricamente,
os aliados não tinham mais obrigações diretas para com a Dinamarca e
a Noruega do que tiveram com a Finlândia. A coisa mais aproximada a
uma garantia era a referência de Chamberlain à Suécia e Noruega no decurso
dos debates finlandeses a 19 de março: "Nada irá ou poderá salvá-las
a não ser a determinação de se defenderem e de se unirem com outros
que estão prontos a auxiliá-los na sua defesa." Mas por seus próprios
interesses, os aliados não poderiam manter-se alheios à invasão alemã
da Escandinávia. Foi imediatamente anunciado que os aliados tinham decidido
estender daí em diante sua completa assistência à Noruega e conduzir
a guerra lado a lado com eles. Esta garantia foi repetida por Chamberlain
a 9 de abril. A 11 de abril, Churchill disse a respeito. dos noruegueses:
"Nós os auxiliaremos da melhor forma que pudermos. Conduziremos a guerra
em comum com eles, e somente faremos a paz quando os seus direitos e
liberdade estiverem restaurados". E a 13 de abril, o rei George enviou
uma mensagem pessoal ao rei Haakon, assegurando-lhe que os aliados estavam
dando à Noruega todo o auxílio que lhes era possível. Quando
os primeiros dias penosos se arrastavam, esse auxílio pareceu custar
muito a chegar. Os alemães tinham alegado que a sua ocupação da Noruega
e Dinamarca visava apenas antecipar uma iminente invasão aliada. A 27
de abril, com a apresentação teatral mas inconvincente, pelo sr. Ribbentrop,
de "provas documentárias", esta lenda avolumou-se até o ponto em que
os nazis asseguravam que uma expedição aliada tinha-se feito ao mar
para logo retroceder à notícia da ação alemã. Para tais fantasias, a
carência de imediata ação aliada era a única resposta convincente, e
servia para colorir a hipótese de que a Grã-Bretanha e a França tinham
sido de fato escolhidos em sono pelo golpe alemão. Churchill deu algum
apoio a isso quando a 11 de abril, depois de admitir que sabiam há meses
dos preparativos alemães, insistiu em que os aliados não tinham meios
para saber qual era a verdadeira finalidade desses preparativos. Isso
sem dúvida significava subestimar a perspicácia sua e de seus colegas.
A verdadeira natureza dos erros de previsão aliados foi talvez melhor
expressa numa nota do correspondente militar do Times: "Quando
a campanha da Finlândia chegou ao fim, o corpo principal da força reunida
para ir em auxílio daquele país foi transferido para outra parte, juntamente
com a sua artilharia anti-aérea. A divisão 49 e certas outras tropas
foram mantidas, entretanto, estacionárias, com o objetivo de serem desembarcadas
nos principais portos noruegueses na eventualidade de uma invasão alemã
vinda do sul. A captura desses portos pelos alemães não foi prevista,
e era considerado que os destacamentos relativamente pequenos designados
para esse propósito seriam suficientes para mantê-los até que outras
forças pudessem ser desembarcadas sob a sua cobertura... A invasão alemã
não foi, portanto, uma surpresa completa em si mesma; mas o seu alcance
e o seu êxito invalidaram completamente o plano original". Os
aliados, em conseqüência, viram-se à frente de uma operação que é tradicionalmente
uma das que oferecem sérias dificuldades - o desembarque de tropas numa
costa hostil enfrentando a resistência inimiga. As recordações pouco
confortadoras da frustrada tentativa de forçar os Dardanelos, que começaram
a avivar-se a essa perspectiva, de modo nenhum se tranqüilizaram à contemplação
do terreno norueguês. Essa costa montanhosa, guardada por numerosas
ilhas e sulcada por enseadas profundas e sinuosas, oferecia um problema
formidável. Os estrategistas ingleses, como se vê pela citação acima,
haviam compreendido perfeitamente as vantagens que essa costa oferecia
para a defesa. Eles tinham agora de encontrar um meio de levar de vencida
a resistência que aí seria oposta pelo inimigo. A
chave de toda a operação, estava claro, era o porto de Trondheim. Oslo,
para o momento, estava fora de cogitações; e um porto como Bergen, circundado
por montanhas que quase o isolavam do interior, oferecia vantagens relativamente
menores sob o ponto de vista estratégico. De Trondheim, por outro lado,
o acesso seria possível - se bem que de forma alguma fácil - ao principal
sistema de comunicações da Noruega meridional. Um exército que obtivesse
um forte ponto de apoio nessa região poderia ter esperança de estabelecer
uma linha que cortasse o sul do norte e oferecesse uma base de que as
forças aliadas pudessem varrer, vindas do planalto central, as posições
alemães ao longo da costa. A
primeira tentativa, entretanto, não foi um assalto frontal, mas um movimento
para tomar a posição de Trondheim pela retaguarda. Nos dias 14 e 17,
foram desembarcados destacamentos navais em Namsos e Andalsnes, respectivamente;
nos dias 16 e l8, eles foram seguidos pelos primeiros contingentes de
tropa. Seu imediato objetivo era obter o domínio da estrada de ferro
e assim evitar uma junção entre as forças de Trondheim e o grosso das
forças alemães e ao mesmo tempo, obter comunicações que lhes permitissem
entrar rapidamente em contacto com as forças norueguesas e tomar posições
avançadas, na esperança de mantê-las contra os alemães até que chegasse
o grosso das forças aliadas. A
essa data havia uma corrida contra o tempo, uma corrida que possivelmente
já fôra perdida. Era verdade que os alemães, apesar de uma semana de
lutas, não tinham ainda estabelecido comunicações entre o grosso de
suas tropas e as guarnições da costa. Esse era um tributo notável à
qualidade da resistência norueguesa, mas os defensores estavam sendo
fortemente comprimidos pelas forças alemães que exerciam pressão ao
norte de Oslo e a leste de Trondheim. A 16 de abril, o ministro norueguês
em Londres lançou um apelo no sentido de que os aliados agissem rapidamente
e assinalou a necessidade urgente de auxílio contra os alemães no sul
da Noruega meridional. O
fato era que a força alemã estava então crescendo com uma rapidez que
fazia com que a conservação das posições inicialmente ocupadas pelos
aliados fosse uma possibilidade. O processo de restabelecer o controle
sobre o Skaggerak tinha evoluído o bastante para fazer que suas comunicações
desfrutassem de uma segurança razoável. Os alemães estavam agora recebendo,
não somente reforços, mas o equipamento mecanizado que permitia às forças
avançadas fazer rápidos progressos para tomar importantes posições,
e os noruegueses podiam ver a perspectiva de que a tática que tinha
sido tão bem sucedida na Polônia seria repetida às custas suas. Contra
isso, as primeiras forças britânicas podiam oferecer pouco, no tocante
ao equipamento pesado. Destacamentos leves eram mandados às pressas
para o interior a fim de se juntarem aos noruegueses e ajudá-los a barrar
o avanço alemão de Hamar a Lillehammer, mas sua inferioridade em número
e equipamento tornou impossível consolidassem suas posições. Ao mesmo
tempo, as unidades navais alemães no fiorde de Trondheim puderam manter
sob o fogo de sua artilharia pesada as forças aliadas que avançavam
para o sul, vindas de Namsos, e forçaram-nas a recuar para Steikjer.
E a perspectiva de que tais desvantagens fossem em breve levadas de
vencida era seriamente ameaçada pela superioridade alemã no ar. O
início da campanha mostrou o domínio do poder aéreo sobre o poder marítimo
de forma mais direta que a registrada antes. Os pesados ataques aéreos
às forças navais britânicas ao largo de Bergen, a 9 de abril, representaram
a primeira batalha real entre navios e aviões em número considerável
e em alto mar. Fazendo-se a comparação, em vista dessa batalha, entre
bombardeiros e navios de guerra, o resultado penderia decisivamente
favorável a estes últimos. Sob
esse aspecto, a bomba mais poderosa lançada durante a guerra foi uma
de 1.000 libras, que alcançou Rodney com um impacto direto. A pesada
armadura da coberta do vaso de guerra resistiu completamente ao choque,
e o único dano causado pela explosão foi ferimentos em três oficiais
e sete marinheiros. Dois outros cruzadores foram atingidos, mas ficaram
apenas levemente danificados por estilhaços, e permaneceram em seus
postos junto à frota. As
unidades menores e mais levemente blindadas não podiam esperar escapar
tão facilmente. Contra impactos diretos, que eram apenas os considerados
fatais, tinham a proteção da velocidade, principalmente. Nesse mesmo
encontro, cinco ataques foram desfechados diretamente contra o destróier
Aurora, em face do pesado ataque anti-aéreo, mas nenhum deles alcançou
seu objetivo. O destróier Ghurka, por outro lado, foi fortemente atingido
e teve de ser abandonado. Foi contra unidades dessa classe que os aviadores
alemães obtiveram seus raros êxitos durante a campanha subseqüente.
Tudo o que conseguiram foi infligir certas avarias a um cruzador durante
o bombardeio de Stavanger, a 17 de abril, mas assim mesmo esse navio
foi capaz de chegar a um porto. Os pilotos alemães pareciam ter pendor
para superestimar as vitórias sobre os navios que atacavam, e suas afirmações
de vitórias acabaram por incluir o afundamento dum vaso de guerra da
classe do Queen Elizabeth, o de um cruzador da classe do York e um porta-aviões.
Mas o Almirantado desmentiu a perda de navios dessa classe durante a
campanha; e em vista da fantástica qualidade das anteriores afirmações
alemãs desse caráter, sua ulterior exuberância deixava pouca impressão
nos observadores destacados. O
poderio aéreo, portanto, mostrou-se incapaz de disputar eficazmente
o domínio dos mares. A frota britânica podia manter abertas as comunicações
marítimas, o que era essencial para a expedição aliada. Mas o seu poder
estacava diante dos portos; e era nos portos, pontos de junção das operações
marítimas e terrestres, que a força aérea alemã agia com o máximo de
sua eficiência. Esses
portos estavam longe de serem adequados, mesmo sob as melhores condições.
Um ataque bem sucedido a Trondheim teria assegurado um bom ancoradouro
com modernas instalações portuárias. A decisão dos aliados de confinar
seus esforços iniciais a Namsos e Andalsnes deixou-os dependentes de
simples aldeias de pesca, cujas poucas docas não passavam de toscas
construções de pedra ou mesmo de madeira, carecendo completamente de
guindastes mecânicos e de outras necessárias facilidades de descarga.
Sua vulnerabilidade a ataques aéreos era acentuada pela incapacidade
de enviar material anti-aéreo com os primeiros destacamentos aliados.
Eram esses os pontos que os alemães golpeavam com plena fúria. A 19
de abril, eles desfecharam contra Namsos um ataque que durou sete horas,
e que foi seguido de outros que continuaram durante os três dias seguintes.
"Vi Chapei, Madrid, Abo e Rovaniemi" escreveu um correspondente francês,
"depois de ataques aéreos. Sei o que um bombardeio é, mas o arrasador
da destruição de Namsos excedia tudo que tinha visto." Os Ataques a
Andalsnes, se bem que menos espetaculares, eram quase da mesma eficácia.
Quando o equipamento antiaéreo foi posto à disposição, os dois portos
estavam em ruínas. As
tropas aliadas que tinham avançado para o interior foram expostas a
assaltos igualmente terríveis. Elas receberam os ataques coordenados
de tropas, tanques e bombardeiros de mergulho; e em Steinkjer enfrentaram,
além disso, o fogo dos navios de guerra alemães que se encontravam no
fiorde de Trondheim. O último fator, juntamente com o desembarque de
forças navais alemães que ameaçavam cortar os primeiros destacamentos
e avançar com rumo sul em direção a Levanger, praticamente cortaram
o braço setentrional da pinça aliada que se movia contra Trondheim.
Foi deixado aos destacamentos meridionais capturar primeiro as vitais
junções ferroviárias de Dombaas e de Stoeren, para então investir para
o sul com a maior rapidez possível a fim de evitar um avanço alemão
sobre os principais vales em direção a Trondheim. Essas
forças aliadas estavam mal equipadas para semelhante tarefa. Careciam
de equipamentos mecanizados e de artilharia pesada. Encontravam-se sem
uma dotação adequada de canhões antitanques e anti-aéreos. Na melhor
das hipóteses, elas podiam esperar agir como força retardadora contra
o inimigo. E a possibilidade de receberem reforços de pendia mais uma
vez da situação no ar. Isto
significava o estabelecimento de bases aéreas aliadas na Noruega. Houve
desde o princípio tentativas de anular o poderio aéreo alemão com ataques
às suas principais bases. Stavanger esteve sob quase constante bombardeio,
e houve reides freqüentes contra campos como Fornebu, perto de Oslo,
e Aalborg, ao norte da Dinamarca. Mas apesar dos danos extensos causados
a esses campos, os aviões nazistas continuavam a operar, e tornou-se
claro que se os bombardeiros não podiam controlar as vias marítimas,
muito menos podiam impedir a atividade inimiga. Nem era possível a caças
operar com eficiência de bases britânicas distantes 500 km. Os caças
bi-motores que eram utilizados desempenhavam bem a tarefa quando em
encontros com o inimigo. Mas não podiam permanecer no ar por muito tempo,
e eram provavelmente menos rápidos que os bombardeiros alemães, como
por exemplo os Junkers Ju.88. Podiam operar patrulhas limitadas ou atacar
objetivos definidos. Mas para a defesa, era necessário aviões de caça
que pudessem permanecer por mais tempo no ar e erguer vôo assim que
o inimigo surgisse. Mas tal força não podia operar sem bases, e os alemães
tinham capturado todas as bases importantes da Noruega. Algumas tentativas
foram feitas pelos aliados para o uso de lagos gelados, mas se mostraram
insatisfatórias; e uma base improvisada na área de Dombaas foi descoberta
e bombardeada até que ficou quase inútil. Por fim, tornou-se absoluta
a superioridade aérea nazista na Noruega. Tal
fato selou o destino da expedição aliada. A superioridade alemã tanto
em efetivos como em potência de fogo foi aumentada sem cessar e à medida
que as forças nazistas avançavam. A 25 de abril, elas investiram pelo
Osterdal - o oriental dos dois vales principais - contra Tynset e estavam
a distância de ataque de Roeros; e no Gudbrandsdal, o vale paralelo
a leste, os aliados foram obrigados a recuar de Otta a Dombaas. Lá então
conseguiram deter o inimigo; mas os alemães no Osterdal lançaram duas
colunas mecanizadas através de caminhos montanhosos em direção a um
ponto da estrada de ferro entre Dombaas e Stoeren. Era um movimento
que ameaçava efetuar ligações entre a força atacante e os alemães de
Trondheim e cortar as forças aliadas em duas. Somente reforços imediatos
poderiam salvar a expedição aliada, agora numa inferioridade de quase
dez para um. Mas o Alto Comando chegou à conclusão de que a remessa
de reforços era impossível, em vista da supremacia aérea dos alemães;
e embora fosse informado que o general de Wiart, a 29 de abril, tinha
assegurado que "as tropas britânicas têm tudo que precisam" a decisão
tomada foi, entretanto, a de retirar as tropas a fim de salvá-las da
destruição. Na noite de 1 para 2 de maio, a retirada foi efetuada de
Andalsnes, e na noite seguinte de Namsos. Com exceção de grupos esparsos
de noruegueses que ainda resistiam, a totalidade da Noruega meridional
foi deixada nas mãos dos nazistas. Com uma chuva final de bombas sobre
a expedição em retirada, os alemães afundaram três destróieres - um
britânico, um francês e um polonês, - mas, de acordo com o comunicado
do Almirantado, os transportes de tropa não foram atingidos. O
comunicado do Almirantado sobre a retirada sugeria, entretanto, que
a luta não tinha sido completamente abandonada, e que seriam realizados
esforços noutros pontos da Noruega. Isto significava claramente que
se concentrariam em Narvik. Aqui, a batalha naval de 13 de abril tinha
resultado na perda do controle alemão sobre o porto, mas não sobre a
cidade propriamente dita. Não foi senão dois dias mais tarde que os
aliados começaram a desembarcar tropas, e a protelação deu aos alemães
tempo não somente para consolidar suas posições, como também para capturar
as elevações de Rombak, a leste das pequenas forças norueguesas lá fixadas,
e estender o seu controle ao longo da estrada de ferro que conduzia
à fronteira sueca. Quando, portanto, as forças militares aliadas chegaram,
encontraram a posição forte danais para um assalto frontal. Ao invés
disso, desembarcaram tropas nos dois lados do fiorde das cercanias da
cidade, e iniciaram o vagaroso processo de envolvimento da guarnição
nazista. Ficou
demonstrado que essa operação nada tinha de fácil. A guarnição alemã
não tinha perspectiva imediata de ser substituída, pois que todas as
tentativas de remessa de reforços por mar foram interceptadas, e os
esforços germânicos para avançar de Namsos por terra eram retardados
pelas forças norueguesas e aliadas que operavam de Mo e Bodoe. Mas a
posse pelos alemães das elevações de Rombak tornou possível um desembarque
ocasional de aviões de transporte, e outros reforços chegaram de pára-quedas.
Suprimentos, incluindo artilharia anti-aérea, eram também deixados cair
de pára-quedas; e o bombardeio alemão, juntamente com a posse alemã
dos fortes da costa, envolviam um vagaroso processo de redução, antes
que as forças navais aliadas pudessem entrar no porto em segurança.
A perda do pequeno cruzador Curlew, equipado com peças anti-aéreas,
mostrou o quão arriscado era para os navios operarem nessas águas estreitas
e difíceis. Apesar
de tudo, as forças aliadas, que haviam crescido até chegarem a um número
orçado em 15.000, gradualmente se concentraram. A 28 de maio, foi lançado
um ataque que durou vinte e quatro horas; e no dia seguinte, os aliados
puderam anunciar que a cidade de Narvik estava enfim em seu poder. Mas
esse não foi, de modo algum, o fim da história. O grosso das forças
alemães tinha deixado a cidade antes da mesma ser capturada e recuado
ao longo da ferrovia para as suas posições em torno de Bjoernfjell.
Era claro que elas não estavam ainda dispostas a entregar esses meios
de acesso às minas de ferro suecas sem uma luta que, devido a natureza
do terreno, poderia muito bem prolongar-se indefinidamente. Com todo
o resultado do conflito - um resultado que incluía o destino da própria
Noruega - em jogo na frente ocidental, os aliados se decidiram a evitar
mais desgastes de força e a evacuar toda a Noruega. "A dura necessidade
da guerra", disse o rei Haakon na sua proclamação de 10 de junho, "forçou
os governos aliados a conjugar todas as suas forças para a luta em outras
frentes, e eles precisam de todos os homens e de todo o material nessas
frentes." Avisou, portanto, o seu povo de que era inútil continuar a
resistência e ao mesmo tempo lhe garantiu que o seu rei e governo continuariam
a luta fora do país, expressando a confiança em que "o povo norueguês,
juntamente com outros povos que agora estão sofrendo sob o jugo alemão,
reaverão uma vez mais os seus direitos e liberdade." Como toque final
trágico à evacuação, o Almirantado foi obrigado a anunciar a perda de
um navio-tanque, um navio de abastecimento, dois destróieres e o porta-aviões
Glorius - afundado, de conformidade com informes alemães, pelos vasos
de guerra Scharnhorst e Gneisenau. As
aquisições da Alemanha Nestas
operações, intensamente criticadas, foi engajada apenas uma pequena
parte das forças adversárias de cada lado. Não se considerava, aliás,
a Noruega como um alvo que justificasse o risco de maiores perdas. Hitler
podia arriscar navios de guerra, que lhe eram de pequena utilidade em
qualquer parte, mas o Almirantado se recusou a enfrentar quaisquer aventuras
sérias com a armada britânica. A expedição aliada à Noruega meridional,
constante de 12.000 homens, formava menos que uma simples divisão; e
embora os alemães tivessem mandado oito ou dez divisões, esta continuava
sendo uma pequena porção das duzentas divisões que, ao que se calculava,
o Reich tinha em armas. Importante como era a posse da Noruega, sob
numerosos aspectos, nenhum dos lados estava desejoso, contudo, de jogar
alto a ponto de enfraquecer seriamente a sua posição no caso de um movimento
do inimigo nos Bálcãs, no Mediterrâneo ou nos Países Baixos. Havia
contudo definitivas conseqüências econômicas e estratégicas que representavam
um ganho real para a Alemanha e perda nítida para os aliados. O espólio
imediato obtido pelos nazistas era em si substancial. Metade das reservas
de ouro dos bancos centrais de Oslo e Copenhague, somando cerca de 75.000.000
de dólares, juntamente com quantidade ignorada de valores estrangeiros,
caiu em mãos alemães. No porto livre de Copenhague, os armazéns foram
completamente atulhados de artigos importados, desde os gêneros alimentícios
até peças de motor. Somente na Dinamarca foram encontradas de 300.000
a 500.000 toneladas de óleo e petróleo. Estes eram manás que a economia
estritamente racionada do Reich tinha todas as razões para bem receber. Os
recursos naturais da Noruega e Dinamarca eram de maior importância ainda.
A Dinamarca era rico país agricultor e produtor de laticínios, no qual
um terço da população vivia exclusivamente do cultivo da terra. Uma
nação como a Alemanha, que ficou sem manteiga afim de fabricar canhões,
podia bem receber a aquisição do maior exportador de manteiga do mundo,
e também um dos maiores produtores de toucinho. Tanto a Dinamarca como
a Noruega eram grandes exportadoras de peixe, e os produtos florestais
e minerais da Noruega eram importantes para propósitos bélicos. Um aspecto
complementar dessas aquisições era o de que elas privavam os aliados,
particularmente a Grã-Bretanha, de suprimentos que até então recebiam.
A Grã-Bretanha absorvia metade das exportações dinamarquesas e mais
que uma quarta parte das da Noruega. Ela estava agora sem o seu maior
fornecedor de manteiga, toucinho e ovos. Com a conquista da Noruega,
ela perdia o grosso de seu abastecimento normal de madeira e mais de
noventa por cento de sua polpa de madeira - materiais importantes na
manufatura de aviões e na provisão de celulose para explosivos, como
também ao fabrico de papel para jornais. Da Noruega também vinham ligas
de ferro e produtos de acetileno, importantes para o preparo de aço
e construções navais. Tais produtos, agora à disposição da Alemanha,
teriam de ser substituídos pelos aliados por abastecimentos de fontes
menos adequadas. Havia,
é verdade, outras considerações que até certo ponto perturbavam esse
equilíbrio. Para começar, a Dinamarca tinha uma balança comercial favorável
com a Inglaterra, enquanto da Alemanha comprava mais do que lhe vendia.
Isto significava que a Dinamarca obtinha fundos da Grã-Bretanha e os
empregava na Alemanha, obtendo assim uma certa soma de câmbio estrangeiro
que não mais estaria à disposição do Reich. Também, embora a nova conquista
pudesse facilitar a situação alimentar no Reich, essa vantagem poderia,
a certos respeitos, ser temporária. Nenhum país bastava a si mesmo em
matéria de gêneros alimentícios. A Noruega em particular, com apenas
três por cento de suas terras aráveis, dependia de importações de cereais;
e a Dinamarca era uma produtora especializada para o mercado mundial
e dependia a muitos aspectos de abastecimentos de fora. Isto era particularmente
verdadeiro no caso dos adubos e forragens, ambos os quais provinham
de além-mar; e estes, particularmente as forragens concentradas como
a torta oleosa, eram justamente os de que a Alemanha carecia. Isto queria
dizer que, embora a Dinamarca fosse uma abastecedora por curto prazo
de gêneros alimentícios, surgia a possibilidade de que a carência de
forragens conduziria no inverno a uma considerável matança de gado;
e, entrementes, o problema de abastecer a Noruega de gêneros alimentícios
devia ser resolvido pela Alemanha. Mas essas eram dificuldades que podiam
ser facilmente exageradas. A Alemanha tinha mostrado, no caso de outras
conquistas suas, que podia lidar com essa espécie de situação, reduzindo
o padrão de vida dos povos que mantivesse submissos; e a imediata instituição
de um racionamento rígido na Dinamarca mostrou a determinação de conservar
essa nova conquista por métodos semelhantes. Um
fator importante, contudo, escapava-lhe em grande parte ao controle.
Esse era a navegação dinamarquesa. Era um fator particularmente importante
no caso da Noruega, cuja navegação de quatro e meio milhões de toneladas
era a quarta frota mercante do mundo em tamanho, ligeiramente superior
à frota alemã. Considerável parte dessa frota, incluindo cerca de cinqüenta
por cento dos 272 navios-tanques noruegueses, já estava fretada pelo
governo britânico. Somente pequena porção dessa frota estava em portos
noruegueses quando se verificou a invasão, e aos navios em alto mar
foi ordenado pelo rádio arribassem a portos neutros ou aliados. Por
meio de disposições subseqüentes, um comitê norueguês com sede em Londres
tomou sob controle unificado essa frota agindo em colaboração com o
controle naval anglo-francês estabelecido logo no começo da guerra.
A navegação dinamarquesa, entretanto, era um problema mais complicado.
O governo norueguês podia agir com os aliados; mas o governo dinamarquês
estava sob proteção alemã e não podia adotar uma atitude hostil ao Reich.
Isto significava que a navegação dinamarquesa, do ponto de vista aliado,
era tecnicamente de um caráter inimigo. Ao mesmo tempo, os aliados não
tinham desejo algum de tratar a Dinamarca como uma potência hostil,
e tinham todas as razões para adquirir e não destruir os navios dinamarqueses.
Ao invés de os apreender ou afundar, os aliados se ofereceram para arrendá-los,
sob a condição de serem transferidos para a bandeira britânica ou francesa
e de que a renda correspondente não passasse para a Alemanha. Essas
condições, entretanto, mostraram-se de difícil aceitação, e durante
abril e maio a maior parte dos 700 navios pertencentes à Dinamarca,
dois terços dos quais em portos neutros ou aliados, permaneceram imóveis.
Um comitê dinamarquês de navegação, organizado pelo ministro da Dinamarca
nos Estados Unidos, negociava com os aliados; e a 23 de maio foi firmado
um acordo permitindo aos navios deixarem os portos neutros com qualquer
destino, a exceção da Alemanha e países sob seu controle. Mas isto acabou
por ser apenas uma concessão temporária, e o destino final dos navios
que continuavam a ostentar o pavilhão dinamarquês parecia ser provavelmente
sua apreensão pelos aliados. Sob
o aspecto estratégico, a conquista da Noruega meridional, em particular,
significava uma vantagem bem definida para a Alemanha. Os portos noruegueses
se prestavam admiravelmente à atividade submarina. As bases aéreas norueguesas
diminuíam para a metade a antiga distância pelo ar à Inglaterra setentrional,
especialmente à base naval de Scapa Flow. A Alemanha estava, pelo menos
potencialmente, numa posição muito mais favorável para martelar as principais
rotas marítimas britânicas, incluindo as rotas norte e oeste das Ilhas
Britânicas, e para obrigar as forças navais de bloqueio que antes patrulhavam
a área entre a Escócia e a Noruega a estender suas atividades por um
raio muito maior. A importância da nova situação foi demonstrada a 17
de abril com o informe de que a Grã-Bretanha estava colocando minas
ao longo de sua costa ocidental, principalmente para proteger o estuário
do Clyde. A ameaça ainda era mais potencial do que imediata, pois que
o êxito dos submarinos contra a navegação mercante continuava em declínio,
e parecia que as bases aéreas norueguesas ainda não estavam sendo utilizadas
para reides de longa distância. Mas a Alemanha, apesar de tudo, estendeu
grandemente o alcance de seu poder ofensivo contra o flanco oriental
britânico. Do
ponto de vista negativo, havia também vantagens reais para a Alemanha.
Mesmo que não tivesse usado essas novas posições como bases para ação
agressiva, a ocupação removera o receio de que pudessem ser tomadas
e utilizadas contra ela pelo inimigo. O controle da Dinamarca e da Noruega
era uma proteção para a frente setentrional da Alemanha, cuja importância
ficou grandemente aumentada. porque significava também o controle sobre
o Báltico. E tinha a outra e positiva vantagem de quase automaticamente
significar o controle da Suécia. A
invasão da Noruega alarmara naturalmente a Suécia, receosa pela própria
segurança. E, por mais irônico que pareça, foi o veto russo ao proposto
pacto escandinavo de defesa que livrou a Suécia da obrigação de entrar
na guerra em favor da Noruega. Mas havia sempre a perspectiva de que,
se as forças alemães fossem mal sucedidas, os nazistas exigissem passagem
através da Suécia para homens e abastecimentos. A Suécia rejeitara de
antemão qualquer idéia dessa natureza e alegara firmemente a intenção
de defender sua neutralidade contra qualquer violação. Apoiou esta alegação
com ataques a aviões que lhe sobrevoaram o território e com protestos
enérgicos junto ao Reich contra tais atos. Uma troca de cartas entre
o rei Gustavo e Hitler parece ter levado a Alemanha a dar garantias;
mas o fato decisivo foi o êxito da consolidação do controle alemão na
Noruega. Isto significava, com efeito, que a Suécia caíra irremediavelmente
na órbita alemã, tanto política, como economicamente; e o começo de
negociações comerciais com a Alemanha em fins de abril indicava o fato
da Suécia ter percebido que, com a Alemanha controlando a entrada do
Báltico, o acesso sueco ao mundo exterior era dependente da boa vontade
alemã. Significava
também que os recursos da Suécia estavam mais completamente do que nunca
à disposição da Alemanha, e especialmente que a Alemanha tinha agora
garantido um fornecimento contínuo de minério de ferro sueco. Isto era
de importância capital, pois que das importações alemães de minério
de ferro no total de 24.000.000 de toneladas em 1938 quase 11.000.000
de toneladas provinham da Suécia, e a sua alta qualidade tornava-a indispensável
à indústria alemã de armamentos. Normalmente, o grosso dessa importação
seguia o caminho de Narvik, e esse porto no momento não mais era utilizável.
Mas as importações alemães por essa rota vinham mostrando forte declínio
desde o início do ano; e com a abertura da rota do Báltico acreditava-se
que Lulea e outros portos suecos, embora mais limitados em capacidade
que o de Narvik, podiam encarregar-se do grosso das exportações necessárias.
Por outro lado, os aliados estavam agora grandemente privados do acesso
ao minério sueco. A Grã-Bretanha, em fevereiro, recebera, em realidade,
mais minério de Narvik que o recebido pela Alemanha. Os dois milhões
de toneladas de minério que ela normalmente importava da Noruega e Suécia
representavam apenas uma terça parte de suas importações, mas sua alta
qualidade tornavam-no de grande importância, e a indústria britânica
de aço estava provavelmente destinada a enfrentar certa dificuldade
antes de poder conseguir uma fonte substituta de abastecimentos. A
queda de Chamberlain O
colapso da campanha norueguesa levou ao auge uma crise política que
havia muito se vinha desenvolvendo. Nas primeiras etapas da invasão
nazista, o público tinha sido encorajado a acreditar que Hitler tinha
dado um passo descuidado, cujas conseqüências cedo sentiria. Com o passar
do tempo sem que essas conseqüências surgissem, crescente obstinação
se tornou aparente; e com a revelação da completa falta de habilidade
dos aliados na realização de um contra-golpe decisivo, o sentimento
de decepção achou vasas numa explosão de ira contra o governo, e especialmente
contra o primeiro ministro. Mas
o responsável não era apenas o fracasso norueguês. Como Attlee disse
durante debates subseqüentes: "Reina grande ansiedade entre o povo deste
país, que não está convencido de que a guerra está sendo conduzida com
suficiente energia, capacidade, força e resolução. e isto não somente
na Noruega. A campanha norueguesa é o auge de outros descontentamentos".
Isto ficou delimitado pela diferença na atitude geral em relação a Chamberlain
e Churchill. Este era responsável pelo Almirantado, cuja política foi
alvo de considerável crítica sob a acusação de falta de audácia crítica
orientada pelo almirante Keyes, que se mostrava ressentido com a rejeição
de sua oferta de dirigir um ataque a Trondheim. Churchill falara de
modo otimista a respeito da ação de Hitler, classificando-a de "erro
estratégico e político tão grande como o cometido por Napoleão ao invadir
a Espanha." Prometera que os exércitos aliados iriam "limpar o solo
dos Vikings da imunda mácula da tirania nazista". Mas Churchill, fossem
quais fossem os seus enganos, teve pequena parte na responsabilidade
pelas grandes deficiências que tinham condenado a campanha ao fracasso.
Logo que Hitler começara a rearmar-se, ele tinha estado a martelar o
governo, num esforço para persuadi-lo da necessidade de se preparar
para a luta vindoura. E agora apontava para antecedentes de que não
teve culpa quando dizia: "A razão da séria desvantagem decorrente da
falta de iniciativa nossa é daquelas que não podem ser rapidamente removidas.
Foi falha nossa não termos nos últimos cinco anos mantido ou reconquistado
a paridade com a Alemanha no ar. Esta é uma velha e comprida história." Por
outro lado, Chamberlain não podia deixar de compartilhar uma parte,
ao menos, de tal situação. E à luz do fracasso norueguês, toda a política
do governo chamberlainiano começou a assumir uma perspectiva diferente
aos próprios olhos dos que o apoiavam. A lembrança de tentativas inúteis
para apaziguar os ditadores, a exclusão inexorável de seu conselho de
homens que advogavam uma orientação mais briosa, a carência de vigor
mesmo depois de iniciada a guerra e o otimismo frívolo de alegações
como que "Hitler tomou o bonde errado" - tudo isso agora refluiu sobre
ele. Qualquer possibilidade que tivesse de recuperar a posição era desfeita
pela sua arrogante impenitência. A desculpa implícita em seu discurso
de 7 de maio visava menos o fracasso da expedição do que o fato mesmo
de tal expedição ter sido enviada. Recusava-se a estudar quaisquer mudanças
sérias de pessoal ou a criação de algum gabinete de guerra realmente
eficiente. Reiterou a convicção de que "a balança das vantagens até
o presente pende para o lado das forças aliadas". Era claro que sob
sua chefia não se poderia esperar um novo impulso de vigor ou imaginação. O
resultado foi uma revolta dentro do próprio Partido Conservador contra
a continuação dessa inexorável falta de habilidade. Este foi o fato
vital em torno da votação de 8 de maio na Câmara dos Comuns. O governo
estava à superfície, sustentado por uma votação de 281 contra 200. Mas
o Partido Conservador na Câmara somava 365 membros, e destes apenas
252 votaram pelo governo. Entre os 65 conservadores que não tinham votado
pode ter havido algumas abstenções normais, mas o grosso se abstivera
deliberadamente de votar como expressão de sua desaprovação. Os 33 conservadores
que votaram contra o governo incluíam figuras proeminentes tais como
Duff Cooper, L.S. Amery, Leslie Hore-Belisha e Lord Winterton todos
eles antigos ministros conservadores. Todos os membros conservadores
dos serviços de guerra presentes à sessão votaram contra o ministério. Apesar
da maioria de Chamberlain, portanto, a votação era uma clara condenação
de sua chefia. Ele tentou ainda endireitar a situação, alargando as
bases do ministério. Mas os líderes trabalhistas se recusaram a unir-se
a uma administração de que Chamberlain fosse o chefe, e essa recusa
resolveu o caso. A 10 de maio, Chamberlain renunciou, e Churchill teve
coroada a sua movimentada carreira com a obtenção, afinal, da pasta
de primeiro ministro. Mas
a esta altura os aliados se defrontaram com uma nova crise, muito mais
grave, pois Hitler lançou todo o poderio de seus exércitos contra os
Países Baixos. A
Invasão dos Países Baixos A
confiante inocência da Dinamarca e da Noruega, que se deixaram apanhar
completamente de surpresa, estava longe de ser partilhada pelos pequenos
países à fronteira ocidental da Alemanha. Logo desde o renascimento
da Alemanha como potência militar, eles vinham tendo plena consciência
dos perigos com que se iriam defrontar no caso de uma nova guerra no
oeste. A topografia dos Países Baixos, que oferecia menos obstáculos
naturais que o terreno mais para o leste, tomava-os o caminho mais adequado
para um exército de invasão que partisse quer da França quer da Alemanha.
A tentação era aumentada pela sua relativa carência de obras artificiais
de defesa, quando contrastadas com as pesadas fortificações de ambos
os lados da fronteira franco-alemã. Uma investida através da Holanda
e da Bélgica era algo que os chefes militares tanto da Alemanha como
dos aliados tinham que ter em vista como uma possibilidade sempre presente. Os
Países Baixos, por sua vez, estavam completamente alertas quanto a essa
perspectiva. Nos primeiros dias da guerra, ela chegou muito perto da
realização durante a crise de novembro; e novamente em janeiro um ataque
alemão pareceu iminente. O irromper das hostilidades na Escandinávia
mostrou o quanto as pequenas nações neutras estavam expostas à cruel
agressão nazista e prenunciou ações alemães mais vastas no oeste. A
Bélgica, a 10 de abril, cancelou as licenças no exército. A Holanda
também começou a tomar precauções, que a levaram a reforçar suas tropas
nas áreas fronteiriças de Limburg e Bradant a 12 de abril e a inundar
a região em torno de Utrecht. A lei marcial já estava em vigor em certos
distritos; e a 19 de abril o estado de sítio foi estendido a todo o
país. Com a lição das atividades quinta-colunistas da Noruega diante
delas, tanto a Holanda como a Bélgica começaram a deter pessoas suspeitas
em posições-chave - se bem que no caso da Holanda pelo menos tais medidas
se mostrassem por demais limitadas no seu intuito. A 7 de maio estava claro que tais precauções tinham e muito bem - a uma razão de ser. Nesta data, chegou aos Países Baixos a informação de que os alemães estavam concentrando tropas rapidamente em pontos-chave ao longo da fronteira. O govern |