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A formação do Estado Soviético - Parte 1
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A Rússia foi o primeiro país do mundo a implantar um regime socialista baseado nos princípios do marxismo (socialismo científico, elaborado por Karl Marx e Friederich Engels).
Este regime foi estabelecido em 1917, quando uma revolução derrubou a monarquia czarista que vigorava no país. O líder da Revolução Russa foi Vladimir Ilich Lênin, auxiliado por Leon Trotski, Josef Stalin e outros militantes do Partido Bolchevique (radicais de esquerda). Logo depois de assumir o poder, os bolcheviques instauraram um governo provisório para dirigir o país. O órgão mais importante do novo governo era o Conselho dos Comissários do Povo, espécie de Conselho de Ministros (Comissário era o nome com que eram designados os ministros do novo regime).
O governo dirigido por Lênin tomou imediatamente diversas medidas destinadas a modificar totalmente a sociedade russa, visando conduzi-la para o caminho do socialismo.
Entre as principais medidas, destacaram-se:
- reforma agrária e fim da propriedade privada da terra;
- extinção de todos os títulos de nobreza;
- desapropriação de indústrias, bancos e grandes estabelecimentos comerciais, que passaram para as mãos do Estado;
- nacionalização dos bancos e investimentos estrangeiros;
- criação do Exército Vermelho, com a finalidade de garantir a Revolução;
- criação do Partido Comunista, como passou a chamar-se o Partido Bolchevique, como único partido do país ; o sistema de partido único instituiu na Rússia a chamada "ditadura do proletariado", ou seja, o governo dirigido pelos trabalhadores.
Todos esses itens constaram da Constituição Provisória de 1918.
O governo dirigido por Lênin enfrentou logo forte oposição dos setores ligados ao antigo regime czarista. Militares, nobres, elementos da burguesia (industriais, banqueiros, comerciantes), além de forças vindas de outros países, começaram a atacar o novo regime. Teve lugar então uma prolongada guerra civil, que causou milhões de mortos, tanto em conseqüência da guerra quanto, principalmente, em conseqüência da fome, pois a produção agrícola caiu assustadoramente e o sistema de abastecimento ficou totalmente desorganizado. A guerra civil só terminou em 1921, quando o Exército Vermelho, comandado por Trotski, derrotou os últimos contingentes contra-revolucionários.
Em fevereiro deste mesmo ano o governo criou a Comissão Estatal de Planejamento Econômico (Gosplan), cujo objetivo era centralizar o planejamento e a execução da política econômica.
Como a guerra civil tinha devastado o país e a fome atingia grande parte da população, o governo decidiu abandonar momentaneamente os rígidos princípios do socialismo, que deveriam demorar um certo tempo para dar seus frutos, e voltar a utilizar algumas das formas de produção capitalistas, que vigoravam antes da Revolução. Assim, foram autorizadas certas atividades particulares no campo e na cidade. Os agricultores podiam comercializar seus produtos; comerciantes podiam abrir pequenos estabelecimentos ; pequenas fábricas podiam ser dirigidas por particulares ; eram admitidas diferenças de salários; o capital estrangeiro podia investir no país. Estas medidas receberam o nome de Nova Política Econômica (NEP); graças a elas, a produção se normalizou em parte e a fome diminuiu.
Em dezembro de 1922, o nome do país foi mudado para União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Tratava-se de uma federação englobando sete repúblicas: Rússia, Transcaucásia, Ucrânia, Rússia Branca, Uzbequistão, Turquemenistão e Tadiquistão.
Em julho de 1923 foi promulgada uma nova Constituição, que estabeleceu como órgão mais importante o Soviete Supremo, composto por delegados de todas as repúblicas, encarregados da escolha do Conselho Executivo.
Stalin vence a Luta pelo Poder
Lênin morreu em 1924. Dois importantes dirigentes do Partido passaram a disputar o poder: o secretário geral, Joseph Stalin, e Leon Trotski, Comissário do Povo para Assuntos de Guerra. Stalin venceu a disputa. Trotski não concordava com a orientação que Stalin imprimia à direção do país e passou a fazer oposição ao novo dirigente, mas foi expulso do partido e do território soviético. Morreu no México em 1940, assassinado por um agente de Stalin.
Controlando a burocracia partidária e estatal, Stalin foi afastando seus opositores até conseguir se tornar ditador absoluto em 1929. Além da extrema centralização política, Stalin implantou a planificação geral da economia, através dos planos qüinqüenais, que procuravam desenvolver a indústria pesada e forçar a coletivização da agricultura. Para obter a auto-suficiência industrial, a produção de bens de consumo foi restringida; a erradicação do analfabetismo e a expansão do ensino técnico também contribuíram para que a União Soviética alcançasse rapidamente um elevado nível de desenvolvimento industrial.
Uma nova Constituição, outorgada por Stalin em 1936, confirmou seu poder totalitário, ao mesmo tempo em que uma política de expurgos maciços, instalando o terror permanente, promoveu o afastamento e a eliminação dos opositores do regime.
Com essa extrema centralização e com o aumento do controle burocrático e policialesco sobre a população soviética, Stalin instaurou o culto de sua personalidade, transformando a ditadura do proletariado em ditadura pessoal. |
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| O Fascismo e o Nazismo |
Enquanto Stalin, através da força, impunha à União Soviética seu governo totalitário, o restante da Europa assistia à ascensão de regimes totalitários na Itália, com o fascismo, e na Alemanha, com o nazismo. .
Os tratados de paz que tinham sido impostos pelas potências vencedoras da Primeira Guerra Mundial impediam que a Itália e a Alemanha tivessem acesso aos mercados consumidores externos e às fontes de matéria-prima, dificultando seu desenvolvimento industrial e sua equiparação às demais potências da época: França e Inglaterra.
Gravemente afetados pela Grande Depressão de 1929, os governos da Itália e da Alemanha estabeleceram como meta prioritária a reconstituição de seus impérios coloniais, através de uma política de anexação de territórios vizinhos. Para a execução dessa política, os dois países passaram a organizar poderosas e bem equipadas forças armadas.
A agressiva política de expansionismo da Itália e da Alemanha pôs em risco o precário equilíbrio que vigorava entre os países da Europa. Em março de 1938, Hitler anexou a Áustria e incorporou os Sudetos, região da Tchecoslováquia habitada predominantemente por alemães. A Inglaterra e a França, principais potências da Europa, se acovardaram diante da investida de Hitler e acabaram aceitando a anexação, pois achavam que isso iria satisfazer as ambições do ditador alemão. Mas Hitler não recuou, anexando, em 1939, o restante da Tchecoslováquia, enquanto a Itália de Mussolini anexava a Albânia.
Em abril do mesmo ano Hitler demonstrou a intenção de reocupar o corredor polonês, região que desembocava em Dantzig (atual Gdansk) e dava à Polônia uma saída para o mar. Para evitar uma guerra em duas frentes, Hitler firmou um acordo secreto com a União Soviética para dividir a Polônia (Pacto Germano-Soviético de 27/8/39). Stalin concordou mediante a promessa germânica de não intervenção na expansão soviética pelo Mar Báltico. |
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| A União Soviética e a Segunda Guerra Mundial |
Em 1° de setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polônia. A Inglaterra e a França reagiram para protegê-la, desencadeando a Segunda Guerra Mundial. Enquanto isso, a União Soviética se apossava da Polônia Oriental e invadia a Finlândia.
Em 1940, Hitler avançou sobre a França e o norte da África. Além disso, firmou o Pacto Tripartite com a Itália e o Japão, visando uma nova repartição da Europa e da Ásia Oriental. Em seguida, dominou a Hungria, a Romênia, a Bulgária e a Eslováquia. A Grécia e a Iugoslávia também foram submetidas logo depois.
O pacto entre a Alemanha e a União Soviética também não teve duração. Descontente com a adesão da Bulgária, sua zona de influência, ao Pacto Tripartite, e impedido pelos alemães de anexar os estreitos do Mar Negro, Stalin se desentendeu com Hitler que, por sua vez, ordenou a invasão da União Soviética em junho de 1941.
No final de 1941, também os Estados Unidos entraram na guerra, depois que sua base de Pearl Harbor, no Pacífico, foi atacada pelos japoneses.
A guerra se generalizou, desenvolvendo-se em três frentes: a ocidental, a oriental e a guerra no Pacífico.
Na frente oriental, embora com relativo sucesso no início, o exército alemão enfrentou ferrenha reação dos soviéticos. Por instrução de Stalin, o exército soviético empregou a tática de "terra arrasada": tudo era retirado por trem e levado para as regiões orientais do país: fábricas, máquinas agrícolas, gado, além da população; o que não podia ser levado era destruído. Isso acabou dificultando seriamente o avanço alemão. Mesmo sofrendo baixas consideráveis, Hitler ordenou que seus comandados continuassem o avanço, até o último homem: seu objetivo era apossar-se dos campos petrolíferos do Cáucaso e das indústrias militares de Stalingrado. No auge do avanço, a frente de guerra se estendia de norte a sul da União Soviética. Os alemães sitiaram Leningrado por dois anos e chegaram até perto de Moscou. Mas os soviéticos, beneficiados pelo inverno e contando com reforços trazidos de outros pontos do país, resistiram e impuseram a mais importante derrota da guerra aos alemães, na também mais importante batalha do conflito - a batalha de Stalingrado.
Começava assim, em 1943, o recuo nazista, enquanto o exército soviético ia avançando sobre as zonas ocupadas, conseguindo retomar a Bulgária, a Hungria, a Tchecoslováquia, a Polônia e a Finlândia, marchando com decisão sobre a fronteira oriental da Alemanha.
Enquanto isso, o ataque combinado de ingleses e americanos libertou a França, os Países Baixos e a Bélgica, fechando o cerco a Hitler, pela frente ocidental.
Em fevereiro de 1945, Roosevelt (Estados Unidos), Churchill (Inglaterra) e Stalin (União Soviética) reuniam-se na Conferência de Yalta para acertar os detalhes finais da grande ofensiva contra a Alemanha, fixar as zonas de ocupação sobre o território germânico a serem controlados por um conselho afiado e reformular o mapa europeu.
Em abril de 1945 os soviéticos cercaram Berlim e em maio as tropa alemãs capitularam nas diversas frentes de batalha.
Na Conferência de Potsdam, no mesmo ano, Stalin, Churchill e Harry Truman, sucessor de Roosevelt na presidência dos Estados Unidos, reuniram-se para definir o destino da Alemanha derrotada. Além da desmobilização completa de suas forças armadas, da redução de seu parque industrial e da obrigatoriedade de pagar pesadas reparações de guerra, a Alemanha teve seu território dividido em quatro zonas de ocupação a serem administradas pela União Soviética, Inglaterra, Estados Unidos e França.
Os Estados Unidos e a União Soviética emergiram da Segunda Guerra Mundial como as duas maiores potências do planeta. |
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| A Europa após a Segunda Guerra Mundial |
Logo após a guerra, a Europa viveu um período de estagnação econômica, em virtude da paralisação das atividades produtivas, sobretudo agrícolas, do desmantelamento da rede ferroviária, da baixa produção de matérias-primas e da drástica redução da população economicamente ativa.
Apesar de terem sido aliados durante a guerra, os Estados Unidos e a União Soviética começaram logo a se desentender, principalmente a partir da Conferência de Potsdam, quando apareceram claramente as diferenças políticas entre os dais regimes e as divergências em torno da partilha territorial e da definição das respectivas áreas de influência. Era certo, porém, que com o enfraquecimento da Grã-Bretanha e da França, caberia a soviéticos e norte-americanos a decisão sobre os destinos da Europa.
O fato de os Estados Unidos contarem com bombas atômicas em seu arsenal bélico causava preocupação à União Soviética. Em contrapartida, o Ocidente ia se mostrando cada vez mais temeroso com relação ao avanço soviético, tendo em vista que, durante a Segunda Guerra, a União Soviética anexara as repúblicas bálticas da Estônia, Letônia e Lituânia, além de ocupar outros países que ajudara a libertar da presença nazista. E mais, o Cremlin cooperava ativamente com os partidos comunistas locais para a formação de democracias populares (Repúblicas Socialistas) nestas regiões. Foi o caso da Polônia e Iugoslávia (1945), da Albânia e Bulgária (1946), da Romênia (1947), da Tchecoslováquia (1948) e da Hungria (1949).
Nas palavras do ex-chanceler inglês Winston Churchill, a União Soviética de Stalin estendia sobre esses países uma "cortina de ferro", que impediria qualquer influência ou ajuda do capitalismo à Europa Centro-Oriental. |
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| A Guerra Fria |
Em 12 de março de 1947, instado por Churchill, o presidente norte-americano Harry Truman proferiu um violento discurso no Congresso, conclamando seu país e todo o Ocidente a lutar contra o totalitarismo soviético (Doutrina Truman).
Era o reconhecimento público das divergências entre as duas grandes potências e o início da chamada guerra fria.
Para garantir e reforçar sua influência na Europa Ocidental , os Estados Unidos elaboraram o Plano Marshall. Através dele os Estados Unidos passaram a prestar poderosa ajuda aos países europeus, destroçados pela guerra. A Alemanha era um dos alvos mais importantes. Graças à ajuda econômica, os Estados Unidos pretendiam conter a propagação do comunismo na região.
A União Soviética, apesar de exaurida economicamente e com um decréscimo populacional de mais de 20 milhões de pessoas, mortas em decorrência da guerra, não aceitou qualquer ajuda norte-americana, exemplo seguido pelos demais países socialistas. Em setembro de 1947, foi criado o Comitê de Informação dos Partidos Comunistas e Operários - o Kominform -, com o objetivo de unificar a ação comunista na Europa Ocidental, sob orientação de Moscou.
Com exceção da Iugoslávia, que se rebelou em 1948, todas as democracias populares foram intimadas a admitir a intervenção de Stalin, que não hesitou em usar a força repressora para obter o controle político e econômico dessas áreas.
O caso da Alemanha gerou um problema delicado, já que seu território estava dividido entre Inglaterra, França, Estados Unidos e União Soviética, tornando uma administração conjunta absolutamente inviável. Assim, americanos, franceses e ingleses decidiram em 1949 fundir suas respectivas zonas de ocupação, inclusive suas áreas em Berlim, dando origem à República Federal da Alemanha ou simplesmente Alemanha Ocidental, com um governo autônomo pró-capitalista e capital em Bonn. A zona oriental tornou-se a República Democrática Alemã, ou Alemanha Oriental, segundo o modelo soviético, com capital em Berlim Oriental.
Enquanto os Estados Unidos, pelo Plano Marshall, promoviam a reconstrução da Europa, a União Soviética criava, em 1949, o Comecon - Conselho para Assistência Econômica Mútua -, visando auxiliar os países socialistas a recompor suas economias, através dos princípios da planificação.
No plano militar, as nações do Ocidente criaram, ainda em 1949, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), como resposta à explosão da primeira bomba atômica soviética. A contrapartida do Cremlin veio em 1955 com a assinatura do Pacto de Varsóvia (Tratado de Assistência Mútua da Europa Oriental), um organismo de defesa que congregava a União Soviética, a Alemanha Oriental, a Bulgária, a Polônia, a Romênia, a Albânia e a Tchecoslováquia. |
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| Um Mundo Bipolar |
Estava armado o cenário para o confronto entre as duas grandes potências, cuja animosidade ultrapassava as fronteiras dos respectivos aliados para se estender a outras regiões do globo, sempre com o objetivo de ampliar suas esferas de influência e dominar áreas estratégicas. O mundo, então, dividiu-se em dois blocos distintos e rivais: o capitalista, sob a liderança dos Estados Unidos, e o socialista, sob o comando da União Soviética.
As disputas entre as nações-líderes acabaram s e estendendo para outras regiões da Terra, camufladas na forma de ajuda financeira e militar.
Concentradas na tarefa de sua reconstrução interna, a França, a Inglaterra e a Holanda tinham dificuldades em manter seus domínios coloniais na África e na Ásia. Assim, os Estados Unidos passaram à ofensiva para ocupar esses espaços, criando zonas de atrito com a União Soviética, também preocupada em apoiar os partidos comunistas locais e garantir sua influência nessas regiões. Nesses locais ocorreriam os enfrentamentos entre as duas potências a partir da década de 50. Exemplo marcante, nesse sentido, foi a Guerra da Coréia, ocorrida entre 1950 e 1953.
A guerra fria ia deixando o mundo todo apreensivo com a possibilidade de um enfrentamento direto, agora com armas nucleares. A idéia de um confronto, ativas redes de espionagem, propaganda maciça contra o regime político do "inimigo", este era o clima dominante dentro das potências, que acabava se espraiando para suas respectivas áreas de influência. |
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| A Ditadura de Stalin |
Internamente, sob a férrea condução de Stalin, os soviéticos implementaram o Quarto Plano Qüinqüenal (1946-1950), que privilegiava o setor energético, o transporte ferroviário e a reconstrução das fábricas atingidas pela guerra. Entre 1951 e 1955, o Quinto Plano Qüinqüenal, que incentivava principalmente o progresso tecnológico e a indústria bélica, elevou a União Soviética ao lugar de segunda potência industrial do mundo. Rapidamente, o país tornou-se o maior produtor de aço e de petróleo.
A agricultura, porém, não acompanhou esse ritmo, tornando problemático o abastecimento de uma população crescente, rato que teria repercussão desastrosa num futuro não muito distante.
No plano político, a violência que caracterizou o governo de Stalin atingiu não somente os soviéticos, mas também os outros países do bloco socialista, que tentavam encontrar vias próprias de desenvolvimento, fora dos rígidos padrões do Kominform.
Após a dissidência da Iugoslávia do marechal Tito, em 1948, Stalin mergulhou no terror a Europa do Leste, promovendo expurgos nos partidos comunistas da Hungria e da Bulgária (1949), da Polônia (1951) e da Romênia (19S2), garantindo pela força que o exemplo iugoslavo não tivesse seguidores. |
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| Kruschev e a Desestalinização |
A morte de Stalin, em 1953, desencadeou uma acirrada disputa pelo poder, vencida por Nikita Kruschev, identificado com o aparelho do Partido Comunista da União Soviética (PCUS). Em 1955, sob essa nova liderança, a União Soviética passou por um processo de liberalização do regime. Uma das prioridades foi o aumento da produtividade agrícola, obtida pela descentralização de áreas econômicas, gerenciadas por conselhos locais. Outro avanço notável ocorreu no âmbito da tecnologia espacial: no dia 4 de outubro de 1957, a União Soviética surpreendia o mundo com a notícia de que tinha colocado em órbita da terra um satélite artificial, o Sputnik. Era uma façanha sem precedentes. Menos de quatro anos depois, precisamente nu dia 12 de abril de 1961, o mundo tomava conhecimento de outro feito espetacular: pela primeira vez, um homem se deslocava em uma órbita da Terra, livre da atração gravitacional. O nome do astronauta correu mundo: Iúri Gagarin.
Mas a realização mais importante de Kruschev ocorreu sem dúvida no campo político. Internamente, deu início a um processo de abertura, amenizando o rigor da censura, reduzindo o poder da polícia política, reabilitando presos políticos e fechando diversos campos de trabalhos forçados. Esse processo recebeu os nomes de degelo e desestalinização, ou seja, eliminação dos traços deixadas por Stalin na vida da União Soviética. O marco decisivo desse processo foi o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em fevereiro de 1956, no qual Kruschev levou mais longe ainda sua iniciativa de desestalinização: revelou e denunciou os abusos e crimes cometidos por ordem de Stalin.
Esse fato repercutiu de maneira ampla nos países socialistas da Europa Oriental, estimulando dissidências. Mas a pesada herança stalinista ainda se fazia sentir e, através da intervenção militar, a União Soviética não permitiu que rebeliões ocorridas na Polônia e na Hungria, no ano de 1956, desviassem esses países de sua linha ideológica.
No plano externo, Kruschev deu início a um processo de aproximação com os Estados Unidos. Num gesto de grande coragem, em 1959, fez uma visita de diversos dias àquele país. Era a primeira vez que um dirigente da União Soviética já pisava o solo americano. Ao retornar a seu país, Kruschev declarou: "Eu vi os escravos do capitalismo. E vivem bem. " Através dessa aproximação com os Estados Unidos, teve início o que se denominou de coexistência pacífica entre as duas superpotências.
Em 1959 o bloco socialista seria ampliado com a inclusão de Cuba, primeiro país da América Latina a adotar o regime comunista, em decorrência de uma revolução liderada por Fidel Castro.
Essa aproximação com o Ocidente, além da política do degelo, não agradou aos dirigentes da China, que tinha feito sua revolução socialista em 1949. Lá, o fervor revolucionário não admitia aproximações com os países capitalistas nem o afrouxamento da rígida disciplina doutrinária. O que estava acontecendo na União Soviética, para o líder Mao Tsé-tung e seus seguidores, era "revisionismo", isto é, desvio do caminho revolucionário idealizado por Lênin. Após um período de acusações, em 1960 os dois países romperam relações. Milhares de técnicos soviéticos que trabalhavam no desenvolvimento de projetos na China foram chamados de volta, deixando interrompidas numerosas obras.
Em 1961, novos acontecimentos viriam mostrar, de forma crua, que as relações entre os países comunistas e capitalistas estavam longe de se normalizarem. Na Europa, o governo da Alemanha Oriental, para evitar a fuga de cidadãos para o lado ocidental, mandou erguer um muro, fechando a fronteira entre ambos os países. Símbolo da intolerância política, este muro só viria a ser derrubado em novembro de 1989. |
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| A crise dos mísseis em Cuba |
Na América, apesar dos ensaios de entendimento entre a União Soviética de Kruschev e os Estados Unidos de John Kennedy, Cuba se transformaria num perigoso foco de tensão internacional. A Revolução Cubana, ao estatizar as empresas estrangeiras instaladas em seu território, provocou represálias dos Estados Unidos, na forma de boicote à importação de açúcar, principal fonte de divisas da ilha. Logo em seguida, em 1961, exilados cubanos, treinados e equipados pela CIA (Agência Central de Inteligência), tentaram invadir a ilha para derrubar o governo de Fidel Castro, no episódio conhecido como a "invasão da baía dos Porcos". Em decorrência, Washington e Havana romperam relações, e Cuba, por pressão norte-americana, foi expulsa da OEA (Organização dos Estados Americanos), ficando isolada política e economicamente do resto do continente.
Esses fatos promoveram a aproximação de Fidel com os soviéticos, de quem passou a receber ajuda financeira, técnica e militar para estruturar o país segundo moldes socialistas. Como parte da aliança, o Cremlin recebeu permissão para instalar mísseis em Cuba, mas o governo americano logo descobriu e exigiu que fossem retirados. Foram dias de extrema tensão, com o mundo à beira de uma guerra nuclear. Depois de muitas negociações, os mísseis foram levados de volta para a União Soviética, mas as tentativas de aproximação entre os dois lados voltaram à estaca zero. |
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| A Era de Brejnev |
Dentro da União Soviética, Kruschev passou a sofrer pressões devido a seu reformismo e perdeu seu posto em outubro de 1964 para Leonid Brejnev. Este, embora prometesse continuar as reformas internas e buscar a aproximação com o Ocidente, representava na prática a retomada do controle pela poderosa burocracia, impermeável às mudanças, ainda que controladas. Brejnev teve que se equilibrar entre a estagnação da economia interna e o crescimento dos gastos militares. Além da produção de armamentos, a União Soviética gastava fortunas para manter suas tropas, em constante estada de alerta, não só em suas próprias fronteiras, mas também em diversos pontos do globo sob sua esfera de influência.
Nos 18 anos de poder, o governo de Brejnev se destacou por severo controle sobre os países da Europa Oriental. Uma tentativa de empreender uma série de reformas liberalizantes, liderada por Alexander Dubeek, na Tchecoslováquia, em 1968, foi esmagada por tanques do Pacto de Varsóvia.
O contato com os Estados Unidos foi retomado durante a gestão de Richard Nixon (1968-1974), mas as conversações sobre limitação de armas nucleares acabaram interrompidas em decorrência da invasão soviética do Afeganistão, em 1979. Neste país, o exército soviético interveio para sustentar um governo pró-Moscou que acabara de derrubar a monarquia. |
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