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last update: April 21, 2006
 

A economia russa é uma das mais peculiares do mundo, por motivos históricos que são amplamente conhecidos. A Perestroika (abertura economica iniciada por Gorbachev após o colapso da União Soviética) foi o primeiro passo para conduzir um pais de dimensoes continentais em direção ao capitalismo. Após ostentar por muitos anos o modelo socialista, de economia planificada e com base em empresas estatais, o país teve (e está tendo) um caminho duro a percorrer em direccedil;ão a uma lógica de livre mercado. Os saudosistas do "regime dos camaradas" culpam o imperialismo capitalista pelas dificuldades que o pais enfrenta hoje, mas os jovens impressionados com o american way of life não parecem querer saber mais de socialismo. Cobiçam os produtos e as idéias vendidas pela recem chegada TV aberta, não se lembram mais do periodo de Guerra Fria, da corrida espacial, da espionagem, da Crise dos Misseis, etc. O longo período de Guerra Fria e a queda do Muro de Berlim parecem ter atrasado o desenvolvimento do Urso, que padeceu com sua tecnologia obsoleta e suas empresas estatais moribundas. A corrupção e a máfia se estabeleceram na politica interna e o povo sofre com crises de abastecimento e falta de perspectiva. Em agosto de 1998, a Russia se tornou o centro da crise financeira mundial, obrigando o presidente Ieltsin a declarar a moratória da divida externa de empresas privadas e abalando bolsas de valores no mundo todo. O rublo desvalorizou-se em 75%, o desemprego, em 1999, atingia ja 14,2% da população economicamente ativa, e 35% dos russos viviam abaixo da linha da pobreza O futuro economico do pais e incerto, a unica certeza que se pode ter sobre a economia russa e de seu imenso e pouco explorado potencial natural e mineral, e de seu potencial humano, com um povo corajoso e resistente, forjado em muitos anos de sofrimentos e privacoes.

Em termos econômicos a Russia e a parte mais potente e diversificada da ex-União Soviética. Atualmente ela tem cerca de 62% do potencial produtivo da URSS(1990). A partir do começo da privatização as mudanças são visiveis em todos ramos da economia. O governo alcancou os êxitos consideráveis na politica de estabilização da moeda, conseguiu consolidar as bases da economia de mercado.
Ultimamente surgiram milhares de bancos comerciais, consórcios e associações, bem como as empresas privadas de pequeno e médio porte. No momento atual na Russia há mais de 950 000 empresas (em total 2600 000 de empresas no país (1996) que produzem cerca de 12% do PIB e garantem 25 milhões de postos de trabalho.
A adaptação da economia as normas de mercado exigiu enormes esforços da Administração do País e provocou a queda da produção industrial e agricola, gerou a crise em vários setores da vida da sociedade russa. Segundo os resultados de 1996 no país continua a profunda crise economica. O PIB caiu cerca de -6% no ano passado, sendo o volume dele de 2256 trilhões de rublos (625 bilhões de dólares). O PIB per capita é de 4228 dólares. A produção industrial baixou 5% e teve valor de 1274 trilhões de rublos. A queda minima foi registrada no setor da energia elétrica (-2%), de combustiveis (-3%). A maior queda foi na área da indústria ligeira (-28%).
O suporte principal da economia russa continuam a ser os recursos minerais. Atualmente a Russia dispõe dos principais recursos minerais de todos os tipos, que permitem a satisfazer não somente todas as demandas internas mas tambem realizar vendas para o exterior. 71% da estrutura dos recursos minerais ocupam os recursos energéticos (gás, carvão, petróleo), 15% - não-minérios, 13% - metais ferrosos, não-ferrosos e raros.
A produção agrícola diminuiu 7% em 1996 e teve o valor de 282 trilhões de rublos. No ano passado a safra de cereais foi de 69,3 milhões de toneladas o que consideravelmente ultrapassou a colheita de 1995 (63,4 milhões de
toneladas).


A politica monetária restritiva do governo, não-financiamento do deficit do orcamento federal através de novas emissões de dinheiro, introdução de banda cambial fizeram com que a inflação caisse bastante. Em 1996 o crescimento dos preços foi de 21,8% ou 6 vezes menor que em 1995. A paridade cambial do dólar norte-americano cresceu 19,8% em 1996 e registrou-se em 31 de dezembro a 5560 rublos por 1 dólar. De janeiro a novembro de 1996 o orçamento federal foi implementado com deficit de 66,3 trilhões de rublos (3,3% do PIB - abaixo do nível previsto para esse período).


Ainda permanecem altos os não-pagamentos dos impostos - até 1 de dezembro de 1996 a quantia dos impostos nao pagos foi de 64,6 trilhões de rublos.
O orçamento federal para o ano 1997 prevê crédito de 434,4 trilhões de rublos (19%do PIB), débito de 529,8 trilhões de rublos (19,4 do PIB), defice - 95,4 trilhões (3,5 do PIB).
A estimativa da inflação e de 12% ao ano. Em 1996 foi registrada a estabilização geral do nível de vida da população po país. A quantidade das pessoas que vivem abaixo do nível da pobreza diminuiu 13% durante 1996. Começou a diminuir a disparidade social: a diferenca entre os salários dos 10% mais ricos e 10% mais pobres e de 13 vezes (em 1995 - 13,5 vezes).
Um dos grandes problemas sociais continuam a ser os salários não pagos. O total para 1996 - 47,1 trilhões de rublos.


O numero dos desempregados e de 2,5 milhões (ou 3,4% da população economicamente ativa). Segundo os cálculos da OIT - 9,3% (1995 - 8,2%).


No comércio internacional nos últimos anos a Rússia mantem o saldo positivo da balança comercial. A balança comercial russa em 1996 foi de 147,4 bilhões de doólares (cresceu 4% em comparação com 1995). Foram registradas a exportação crescente e importação decrescente. O total das exportações foi de 87,7 bilhões de dolares (+8%), importações - 59,7 bilhões de dolares (-2%). Saldo positivo do balanço comercial foi de 28,0 bilhões de dólares (em 1995 - 20,2 bilhões de dólares). A percentagem dos recursos energéticos (petróleo,derivados de petróleo, gás natural, carvão) na exportação (janeiro-novembro de 1996) foi de 46% (1995 - 40%), metais - 15% (15%), maquinas e equipamento - 9,4% (9,7%). Na importação as máquinas e equipamento ocupam 32% (1995 - 34%).


Segundo os dados preliminares em 1996 o comercial da Russia com os paises da CEI foi de 34,3 bilhões de dólares (em comparação com 1995 cresceu 6%), exportações - 16,7% bilhões de dólares (+8%), importações - 17,5 bilhões (+4%). O saldo da balança comercial com os paises-membros da CEI e negativo - 0,8 bilhões de dólares (1995 -
-1,4 bilhões).


Aumentam os investimentos estrangeiros, embora esses se caracterizem pela quantia relativamente pequena. No inicio de 1996 os investidores estrangeiros tinham 6,7 bilhões de dolares na economia russa. Durante os 9 meses de 1996 os investimentos diretos foram de 1,430 bilhões de dólares, de portofólio - 2,276 bilhões de dólares (em 1995 os dados correspondentes de 2,017 e 0,088 bilhoes de dolares). O aumento total dos investimentos deveu-se em grande parte ao aumento dos investimentos em papeis estatais de renda fixa.
Em perspectiva de médio prazo as diretrizes principais da politica macroeconômica do governo russo são estabilizar a produção e renovar o crescimento econômico incentivando as atividades de investimento e promovendo a restruturação da economia.
O governo russo elaborou o programa de médio prazo de desenvolvimento economico da Rússia para os anos 1997-2000. Segundo as estimativas deste programa ate o ano 2000 o ritmo do crescimento do PIB deve atingir 5-6%, da produção industrial - 7-8%, inflação - 5-8% ao ano.

 

Prognóstico do desenvolvimento macroeconômico da Federação da Rússia em 1999
O Centro da Conjuntura Econômica junto ao governo da Russia elaborou o prognóstico do desenvolvimento do país em 1999. O prognóstico baseia-se nos dados do Comite Estatal de Estatistica, Ministério de Finanças, Ministério da Economia, Ministério de Trabalho e Comite Estatal de Alfândega.
O prognóstico consta de três cenários calculados de acordo com as previsões do volume de refinanciamento da divida externa da Russia.
1. Segundo o primeiro cenário (mais optimista) serão gastos menos de US$ 5-6 bilhões do orcamento federal para refinanciar a divida externa. Nesse caso os parametros macroeconômicos do país serão os seguintes:
- o PIB diminuirá menos de 4% em comparação com o ano de 1998 com o índice de preços ao consumidor em torno de 22%;
- o deficit primário do orçamento federal será de 0,3% sendo a receita 11,2 - 11,5% do PIB;
- as necessidades de emissão de papel-moeda não superarão a meta de 38-40 bilhões de rublos (com a paridade cambial 1 US$ = 20,5 rublos e 36% da taxa de refinanciamento do Banco da Russia no final do ano);
- as reservas cambiais serão no final do ano US$ 16,2 bilhões e superarão em US$ 4,2 bilhões o nivel crítico (necessário para financiar as importações de três meses).
2. O segundo cenário, que parece mais provável, prevê que as condições de refinanciamento da divida externa serão bastante dificeis, porem, não impedirão de realizar uma efetiva politica econômica embora a situação social e econômica não seja facil.
- a diminuição do PIB em comparação com o nível de 1998 será de 5%;
- inflação ficará por volta de 36%;
- deficit primário do orçamento federal será menor de 0,4% do PIB.
Para esse cenario esta prevista uma politica monetária moderadamente rigida: o volume da emissão de papel-moeda não deverá ser mais de 80 bilhões de rublos com a paridade 1 US$ = 23 rublos e 45% da taxa de refinanciamento do Banco da Russia no final do ano. As reservas poderão ficar no patamar de US$ 14 bilhões e serão maiores do que o volume do financiamento de três meses de importações.
3. Terceiro cenaário (o mais pessimista) leva em consideração possivel fracasso nas conversações de reescalonamento da divida federal e necessidade de cumprir plenamente as obrigações pela divida. Para esse caso esta prevista a mais forte recessão (ate 8-9%) e inflação de 93-95%. Apesar de emissão de papel-moeda no minimo 160 bilhões de rublos o deficit primário do orçamento federal será pelo menos 1,5% do PIB. A taxa de refinanciamento do Banco da Russia para o final do ano ultrapassará 100% e a paridade cambial US$ 1 = 38 rublos. O mais possível nivel de reservas cambiais será menor de US$ 7 bilhões.