Hoje, o Conselho de Segurança das Nações Unidas examinou em reunião extraoficial o projeto europeu de resolução sobre o Irã. Na última sexta-feira, a Inglaterra, a França e a Alemanha haviam enviado à China, Rússia e Estados Unidos um projeto atualizado de resolução, o qual estipula sanções contra Teerã pela recusa em acatar as reivindicações para suspender as atividades na área de enriquecimento de urânio. Como declarou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serghei Lavrov, a nova redação do projeto de resolução difere consideravelmente do antigo, porque baseado nas propostas russas. Essas propostas prevêem a necessidade de induzir o Irã a sentar-se à mesa de conversações. O novo documento pressupõe restrições aos fornecimentos de tecnologias necessárias ao processamento de urânio, tratamento químico do combustível irradiado e construção de um reator a água pesada e mísseis para transporte de cargas nucleares. Segundo Serghei Lavrov, é muito importante que o projeto contém uma relação de medidas concretas nos campos que causam preocupação à Agência Internacional de Energia Atômica. O diplomata russo acentuou a seguir que as obras da usina atômica em Bushehr, realizadas por especialistas russos, nada têm a ver com a resolução que está sendo preparada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Essa central está sendo construída em estrita conformidade com as normas da Agência Internacional de Energia Atômica; portanto, não se pode nem falar em quaisquer restrições a esse projeto. Algum tempo atrás, a Rússia tinha declarado reiteradamente que só apoiaria uma resolução que limitasse o potencial bélico de Teerã sem ferir os projetos civis e que não resultasse em encerramento do diálogo político sobre o programa nuclear desse país. Todavia, Teerã não quer ver o Conselho de Segurança promulgar qualquer resolução a esse respeito, ameaçando poder reconsiderar sua cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica. A situação é comentada por Aleksandr Pikaiev, diretor do Setor dos Problemas do Desarmamento no Instituto de Economia Global e Relações Internacionais junto à Academia de Ciências da Rússia: Nestas condições, a Rússia ocupa uma posição equilibrada, porque enviar uma mensagem tanto a Teerã como à Europa e aos Estados Unidos. Existem umas resoluções promulgadas pela Agência Internacional de Energia Atômica e pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, as quais demandam que o Irã esclareça o caráter das suas atividades nucleares não anunciadas. Até o momento, essas reivindicações não foram atendidas. A comunidade internacional, portanto, tem a obrigação de reagir à situação criada. Se, portanto, Teerã não responder de forma positiva, a Rússia vai ter que concordar com umas determinadas sanções a implantar pelo Conselho de Segurança. Entretanto, a Rússia insiste para que tais sanções tenham uns alvos bem definidos e um prazo determinado, de modo a que ao fim desse prazo se possa voltar a discutir o problema do programa nuclear iraniano. Enquanto isso, Moscou lembra ao Irã que dentro do “Grupo dos Seis” existe um consenso geral sobre a necessidade de tudo fazer para impedir proliferação das armas de extermínio em massa e para que o Irã não chegue a ser uma nova potência nuclear. P.S - Tradução de : Jonas Bernardino - Emissora "Voz da Rússia" | |