|
|
| |
ANGOLAGEOGRAFIAAngola está situada na parte ocidental da África Austral. O seu território corresponde a uma costa marítima de 1.650 km e a 4.837 km de território fronteiriço. Tem 1.246.700km2 de superfície. A região interior subdivide-se em três zonas: zona norte, com elevada queda pluviométrica e temperaturas elevadas; zona de altitude que abrange as regiões planálticas do centro caracterizadas por temperaturas médias anuais próximas aos 19 graus, com uma estação seca de temperaturas mínimas acentuadas; e zona sudeste, semi-árida, atendendo `a proximidade do deserto do Calaári. Temperaturas baixas na estação seca e elevadas na estação quente. Esta região é sujeita à influência de grandes massas de ar tropical continental. RECURSOS FLORESTAIS Os recursos florestais são outra das riquezas e estão situados principalmente em Cabinda (floresta de Maiombe) onde existe madeira de grande valor económico como por exemplo o pau-preto, o pau-ferro, o ébano e o sândalo africano. O potencial energético dos rios angolanos é enorme. Diz-se que só o Rio Kwanza poderia produzir 30 mil milhões de kw por ano. RECURSOS PISCÍCOLAS Com uma orla marítima de 1.650 Km, a costa angolana possui um litoral rico em peixe, moluscos e crustáceos. As espécies características de águas frias, predominam na província do Namibe e as de águas de temperaturas tropicais, na costa de Benguela. FAUNA A fauna é bastante rica e variada e até 1974 eram conhecidas cerca de 872 aves, 268 espécies piscícolas, 275 espécies animais, uma grande diversidade de anfíbios, répteis e insectos, encontrando-se em vários pontos de Angola manadas de elefantes. Os rios formam um total de dez bacias hidrográficas que proporcionam uma riqueza faunística considerável: os de aba Atlântica (rios Kwanza e Longa) são habitat especial de um mamífero raro (Trichechus Senegalensis) e nas lagoas há hipopótamos e crocodilos. Importa assinalar ainda a presença de espécies como o grande antílope preto - the giant sable antilope - a palanca negra, espécie raríssima, assim como o rinoceronte branco, existindo alguns parques nacionais para a conservação dos recursos existentes. RECURSOS MINERAIS Angola é um país eminentemente rico em recursos minerais. Estima-se que o subsolo alberga 35 dos 45 minerais mais importantes do comércio mundial entre os quais se destacam o petróleo, o gás natural, diamante, fosfatos, substâncias betuminosas, ferro, magnésio, ouro e rochas ornamentais. A área de diamantes nas Lundas é admirada por sua qualidade e considerada uma das mais importantes do mundo. As principais bacias petrolíferas em exploração situam-se junto à costa nas províncias de Cabinda e Zaire no norte do país. PRINCIPAIS INDICADORES DEMOGRÁFICOS: POPULAÇÃO: ( Estimativas de 1998 ) 12.600.000 habitantes. COMPOSIÇÃO POR SEXO: Masculino: 49,3%. Feminino: 50,7%. DENSIDADE DEMOGRÁFICA: 8,3 hab/km2. TAXA DE CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO: 2,8 ( média anual 1999-2010 ). POPULAÇÃO ECONOMICAMENTE ATIVA: 53%. ESPERANÇA DE VIDA À NASCENÇA: 45 anos (homens) e 48 anos ( mulheres ). TAXA DE MORTALIDADE INFANTIL: 20,2/1000 LÍNGUAS Língua Oficial: Português. Principais Línguas Nacionais: Umbundu, Kimbundu, Kikongo, Fiote, Cokwe, N'ganguela, Nyaneka, Kwanyama. UNIDADE MONETÁRIA: Kwanza Reajustado. BANCO CENTRAL: Banco Nacional de Angola. DIVISÃO POLÍTICO ADMNISTRATIVA: 18 Províncias, 163 Municípios, 475 Comunas. FERIADOS
ECONOMIA Angola tem um potencial agrícola considerável, com o clima, solo e topografia adequados à agricultura moderna, em grande escala, para a produção de uma ampla variedade de culturas. O país possui um riquíssimo subsolo, com recursos minerais que incluem petróleo, diamantes e minérios de ouro e ferro. Para além disso, tem importante potencial hidroelétrico, florestal e pesqueiro. Antes da independência do país, o desenvolvimento económico assentava, em grande medida, no sector agrícola, em particular na produção de café. Entre 1960 e 1973, o Produto Interno Bruto (PIB) real aumentou a uma taxa anual de quase 7% e, durante o mesmo período, a produção de café passou de cerca de 100.000 toneladas para 210.000 toneladas por ano, tornando Angola o quarto produtor mundial de café. Até 1975, Angola foi um exportador líquido de alimentos, em particular milho, possuindo uma indústria pesqueira estável. No início da década de 70, Angola era também o quarto produtor mundial de diamantes, com uma produção anual de cerca de 2 milhões de quilates e um exportador importante de minério de ferro. O petróleo tornou-se um factor chave do desenvolvimento económico a partir de 1968, tendo a produção aumentado rapidamente pelo que, em 1973, esta indústria representava cerca de 30% das receitas de exportação. Em 1975, Angola tinha um economia diversificada, com um dos sectores industriais mais desenvolvidos de África. Todavia, durante e imediatamente após a guerra de independência, a economia sofreu uma grave rotura. Esta situação resultou da combinação de conflitos militares e de uma descolonização mal conduzida, o que veio a provocar o êxodo de Angola de cerca de 300.000 colonos portugueses, bem como de milhares de quadros superiores angolanos, com o conseqüente e inevitável rompimento da gestão da economia. Na altura da independência a economia caracterizava-se, portanto, pelo colapso da estrutura administrativa, pelo abandono de muitas empresas do sector privado, pela rotura do sistema de transportes e por insuficiência de mão de obra especializada. Ao declínio registado imediatamente após a independência, seguiu-se um curto período de recuperação económica, sem que no entanto, se atingissem níveis sequer próximos dos de 1973. Entretanto, a partir de 1981, a escalada da actividade militar provocou uma deterioração das condições de segurança, em muitas regiões do país e, a prioridade da política governamental deixou de ser o desenvolvimento económico, passando a ser a defesa nacional. Isto contribuiu para um deterioração acentuada do nível de vida da população, especialmente nas zonas rurais, onde o abastecimento alimentar, habitação e sistema de transportes, foram gravemente afectados. Em 1983, o governo iniciou uma série de análises de gestão da economia, tendo iniciado um processo de reforma, de acordo com as suas conclusões. Daqui, resultou o lançamento, no início de 1988, do Programa de Saneamento Económico e Financeiro (SEF), um programa de estabilização económica para um período de três anos, com o objetivo de estabelecer os fundamentos para o ajustamento estrutural de longo prazo. De acordo com o actual programa de acção do Governo têm sido introduzidas medidas adicionais, para atingir os objectivos do programa SEF e está em curso a preparação do programa de ajustamento estrutural. Os objectivos das reformas económicas em Angola incluem: · Reduzir o grau de centralização do planejamento e gestão económica e permitir que os sinais de mercado sejam a principal orientação da actividade económica; · Fortalecer os controles orçamentais e reduzir o défice; · Dar maior autonomia às empresas estatais; · Controlar o crescimento da oferta monetária; · Melhorar a conta corrente da balança de pagamentos; · Iniciar o processo de privatização das empresas não estratégicas do Estado. Em Setembro de 1989, Angola tornou-se membro do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial e organizações filiadas e começou a receber assistência técnica destas organizações, em várias áreas, incluindo a evolução das instituições económicas e financeiras e a recolha e compilação de dados estatísticos. Paralelamente, a Constituição de Angola foi alterada no início de 1991 e foram publicadas várias leis que, no seu conjunto, estabelecem enquadramento jurídico para a implementação das modificações políticas, económicas e sociais em curso no país. Com o recrudescimento da guerra, a partir de finais de 1992, a situação económica do país degradou-se ainda mais, chegando a níveis bastante preocupantes. As camadas mais pobres da população viram-se confrontadas com situações de penúria absoluta, devido sobretudo à falta nos mercados, dos bens de consumo essenciais. Em Setembro de 1995, o Governo, sob críticas de vários sectores da sociedade, aprovou um pacote de medidas de emergência que visam, em primeira instância, garantir à população a estabilização em termos do fornecimento de bens essenciais de consumo. HISTÓRIA - DAS ORIGENS À INDEPENDÊNCIA O território é habitado desde a idade da pedra, como atesta a presença de estações de arte rupestre ao longo do litoral, e foi na idade do ferro antiga que surgiram as primeiras migrações de povos mais evoluídos, os Bantu. Vindos do norte, provavelmente da região dos Camarões, trouxeram com eles novas técnicas como a metalurgia, a cerâmica e a agricultura totalmente assimiladas pelos naturais, criando-se a partir de então as primeiras comunidades agrícolas. A migração dos primeiros agricultores no espaço de Angola, decorreu lentamente, ao longo de muitos séculos, dando corpo às diferentes etnias que evoluíram aos dias de hoje. Este processo de fixação decorre até o século X, começando então a fase de estruturação dos grupos étnicos e a conseqüente formação de reinos. Alguns grupos etno-linguísticos, como os Ovimbundu, formam vários estados, mantendo a coesão e um passado comum, se bem que por vezes bastante remoto. O aparecimento dos reinos do que é actualmente a parte ocidental de Angola começou de maneira semelhante à dos seus vizinhos do interior no Leste. Em certa altura, por volta de 1350, ousados chefes principiaram a aplicar novos métodos de governo. Eles uniram povos aldeões sob a autoridade dos reis e governadores de províncias e chefes de aldeias. Provavelmente a partir do séc. XII começam-se a definir as autonomias, mas só mais tarde, no séc. XIX ficará o processo consolidado. Os reinos surgem da efectivação de um poder centralizado num chefe de linhagem (Mani, palavra bantu aparentada com Mwana dos Xonas), que a mercê do seu prestígio e poder económico, ganhou o respeito da comunidade que o rodeia. Em 1400, ou pouco depois, emergiram dois grandes sistemas. O mais poderoso foi o reino do Congo, assim chamado por causa do povo Congo que vivia, então como agora, nas duas margens do curso final do rio Congo. O Mani Congo, ou rei do Congo, tinha autoridade sobre a maior parte do Norte da moderna Angola, governando através de chefes menores responsáveis por grandes províncias. Um outro reino importante foi o dos Quimbundos, a sul do Congo, na actual parte ocidental e central de Angola. Chamava-se Ndongo e o rei tinha o título de Ngola. Outros reinos do oeste, mais pequenos, também tomaram forma neste período e organizaram-se de modo semelhante. Os estados que se formaram são o testemunho da organização política das comunidades e vão aparecendo em épocas mais ou menos afastadas no tempo. Em 1482 deu-se a chegada das caravelas portuguesas comandadas por Diogo Cão. Ele largou ferro no rio Congo e foi bem acolhido pelo governador local do rei do Congo. A partir daí, mudanças radicais começaram a ocorrer na estrutura sócio-económica e política de todas as sociedades locais. No início da intervenção portuguesa, finais do séc. XV, havia um bom relacionamento entre o reino do Congo e Portugal com um intercâmbio aparentemente vantajoso para ambas as partes. Se estas relações de mútuo respeito tivessem continuado os resultados para a África, e para a Europa, poderiam ter sido diferentes. Os males vieram por conta de colonos sedentos por mais, cegos pela ambição. Os portugueses, já no séc. XVI, descendo o litoral para sul e penetrando no planalto ao norte do rio Kwanza, chegaram ao reino dos Ngola (Ndongo) a que chamaram Angola. Sobre o Ndongo, é suposto que a sua criação se situe nos séculos XIV-XV e que mantinha um comércio interessante com os reinos vizinhos. Quando os portugueses chegaram, no século XVI, reinava Ngola Kiluanji. Mais tarde (1576-1605) os interesses portugueses recaíram sobre as potencialidades minerais do reino do Ndongo. Seguidamente, entre 1605 e 1641 o objectivo dos portugueses passou a ser o domínio político do território, começando então, as grandes campanhas militares à conquista das terras do interior. O tráfico de escravos passou a ser o grande negócio, interessando aos portugueses e africanos. Este novo negócio, provocou um êxodo de mão de obra, deixando os campos sem braços para trabalhar e causando grande instabilidade sócio-política nas sociedades locais. O rei Ndongo, Ngola Kiluanji, depressa disse não à submissão à coroa portuguesa, provocando fortes investidas militares para a tomada do poder a força. O domínio da zona facilitava enormemente a captura de escravos. Os chefes Ngola resistiram e graças sobretudo à acção da rainha Njinga Mbande, considerada uma política exímia, o seu poder foi mantido por mais algumas décadas. A dominação do território, não era, no entanto tarefa fácil. Os reinos de Matamba e Kassange mantiveram a sua independência até ao séc. XIX. Em 1617, Manuel Cerveira Pereira, chega ao litoral sul, submete os sobas dos Mudombe e dos Hanha e funda o reino de Benguela. Em Benguela, tal como em Luanda passou a funcionar uma pequena administração colonial. As disputas territoriais pelas terras de África envolviam países económica e militarmente mais fortes como a França, Inglaterra, a Alemanha, o que constituía motivo de grande preocupação para Portugal. Lisboa começou então a ver a urgência de um domínio mais eficaz do terreno já conquistado e reformou a sua política colonial no sentido de uma ocupação efectiva dos territórios. A partilha do continente, viria a acontecer pouco mais tarde, na conferência de Berlim. Em 1869, os territórios sob o domínio português, Angola e Benguela, fundem-se numa só unidade, com estatuto de província. Anteriormente a esta data, o grande acontecimento foi a abolição da escravatura. A escravatura, porém não desapareceu de repente; houve períodos de transição em que ocorreram grande aumento de tráfico e grandes abusos com a conseqüente revolta das populações. No final do Séc. XIX, é referido por alguns historiadores, ser a presença portuguesa no território: “amorfa, oficiosa e por vezes caótica”. Cada vez tornava-se mais próxima a presença dos concorrentes europeus que efectivavam da melhor maneira a ocupação dos seus territórios. Esta nova situação obrigou as autoridades portuguesas a empreenderem expedições visando o reconhecimento e a conquista do território restante. Não era, no entanto, tarefa fácil, tendo havido grande resistência de parte dos reis do Kongo. As campanhas do planalto do início do século XX revelaram a resistência das populações e a força dos reis do Bailundo e de outros reinos independentes que fizeram retardar até aos finais do primeiro cartel do século a dominação completa do território. Em nenhuma outra parte da África tropical uma potência colonial teria de empenhar tantos homens durante tanto tempo, para vencer tão poucos adversários. Apesar de uma implantação morosa e difícil, o final do séc. XIX marcaria a organização de uma administração colonial na correspondência do espaço e dos homens a dominar. A estratégia adoptada no domínio da economia assentava basicamente na agricultura e na exportação de matérias primas que a colónia produzia. O comércio da borracha e do marfim, entre outros produtos, provocava grandes rendimentos para Lisboa, ainda acrescidos pelos impostos cobrados às populações. No início do séc. XX outras reformas foram implementadas, alterando a política portuguesa em Angola. A coroa, apesar dos fracos recursos, optou por desenvolver a colónia ainda que com pouca convicção. O derrube da monarquia em Portugal e uma conjuntura internacional favorável acabariam por levar as novas reformas ao domínio administrativo, educativo e agrário. Nasce o Estado Novo que se pretende extensivo à colónia, pois para os novos governantes Angola passava a ser mais uma das províncias de Portugal (Província Ultramarina). A situação vigente era aparentemente calma. No segundo cartel do séc. XX esta calma passou a ser posta em causa com o aparecimento dos primeiros movimentos nacionalistas. Inicia-se a formação de organizações políticas mais explícitas a partir dos anos cinqüenta que reivindicam os direitos dos povos colonizados. Promovem várias campanhas diplomáticas fazendo ouvir suas vozes no mundo inteiro, pugnando pela independência. O poder colonial insistia, no entanto, em não ceder às propostas das forças nacionalistas, provocando o desencadear de conflitos armados directos, sob a forma de luta armada de libertação nacional. Destacaram-se nesta luta o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) fundado em 1956, a FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola) que se revelou em 1961 e a UNITA (União Nacional Para a Independência Total de Angola) em 1966. Depois de longos confrontos, o país alcança a independência a 11 de Novembro de 1975. POPULAÇÕES E AS SUAS LÍNGUAS A grande maioria dos cerca de 12.000.000 de habitantes que constituem a população de Angola provém de povos de origem bantu. Outra componente considerável porém, surge da miscigenação que desde cedo começou a existir; primeiro entre diversos grupos que migraram para o território e posteriormente com europeus (portugueses na grande maioria) durante o período da colonização. Existem ainda algumas minorias de não bantus como os bosquímanos ou bochimanes e um número considerável de europeus. Há 3.000 ou talvez 4.000 anos atrás, os bantu, deixando a selva equatoriana (na região hoje ocupada pelos Camarões e Nigéria), rumaram em dois movimentos distintos, para sul e para leste empreendendo assim a maior migração jamais realizada na África. De causa desconhecida, essa corrente migratória prolongou-se até ao século XIX. O cinturão da selva equatorial era uma barreira intransponível. Só o machado ou machete de ferro e a rápida e nutritiva produção de banana e inhame lhes permitiram realizar uma façanha que durou séculos. Um nível alimentar excelente favoreceu uma invulgar explosão demográfica. A exuberância da selva equatorial, os rios e as lagoas das extensas savanas, tão propícias à agropecuária e o conhecimento do ferro, mineral tão freqüente em África, impulsionaram a grande aventura. Caminhando sempre em direcção ao sul, estes povos, vigorosos, armados e organizados, venceram e escravizaram os indígenas pigmeus e bosquímanos. A designação bantu nunca se refere a uma unidade racial. A sua formação e expansão migratória originaram uma enorme variedade de cruzamentos. Há aproximadamente 500 povos bantu. Assim não se pode falar de raça bantu, mas de povos bantu, isto é, comunidades culturais com civilização comum e línguas aparentadas. Depois de tantos séculos em que se realizaram muitas deslocações, cruzamentos, guerras e foram tão diversas as influências recebidas, os grupos bantu conservam ainda as raízes de um tronco originário comum. O termo bantu aplica-se a uma civilização que conserva a sua unidade e foi desenvolvida por povos de raça negra. O radical “ntu”, comum a muitas línguas bantu, significa homem, pessoa humana, “ba” é forma plural. Bantu ou banto significa pois, homens, seres humanos. As línguas bantu, que se podem contar às centenas, têm um tal grau de parentesco que só se compreende partindo de um tronco comum primitivo. Os bantu, além do nítido parentesco linguístico conservam um fundo de crenças, ritos e costumes similares, uma cultura com traços específicos e idênticos que os assemelha e agrupa, independentemente da identidade racial. Os bantu caracterizam-se culturalmente por uma tecnologia variada, escultura de grande originalidade estilística, um somatório de conhecimentos empíricos assinaláveis e por uma literatura oral, densa e interessante, de notável expressão intelectual. As línguas actualmente faladas em Angola são por ordem de antiguidade: a bosquímana, a bantu e a portuguesa. Das três, apenas a língua portuguesa possui forma escrita. As línguas bantu apresentam unidade genealógica. Homburger, eminente banturista afirma que o primeiro dado adquirido no domínio da linguística comparada foi a unidade do grupo bantu. Cita ainda, a propósito da história do conhecimento desta unidade, que os primeiros viajantes portugueses tinham constatado poderem os naturais de Angola comunicar com os da costa de Moçambique. Os bantu angolanos repartem-se por nove grandes grupos etno-linguísticos - quicongo, quimbundu, lunda-quioco, mbundo, ganguela, nhanheca-humbe, ambó, herero e xindonga, que por sua vez se subdividem em cerca de uma centena de subgrupos, tradicionalmente designados por tribos. GRUPO QUICONGO OU BAKONGO Ocupa Cabinda e o nordeste, entre o mar e o rio Cuango. Os quicongos são agricultores tradicionais constituindo a mandioca a sua principal base de cultivo. Algumas etnias são muito aptas para o negócio, nomeadamente os “cabinda” e especialmente os “zombo”. As quitandas ou mercados constituem aliás, um importante elemento da vida quicongo e por elas chegavam a contar o tempo. Entre os quicongos instituiram os portugueses, no séc.XVI, uma monarquia de padrão europeu, onde o rei mantinha como vassalos, condes, duques e marqueses, administrando áreas do território ao modo medieval. Os povos quicongo são notòriamente supersticiosos e extremamente propensos à criação de místicas religiosas. São também detentores de um vivo espírito filosófico. Também particularmente propensos à vida marítima, os Cabinda tripulam embarcações de cabotagem entre os portos de Angola. Os Cabindas têm ainda fama de orgulhosos e frívolos, ultrasensíveis e muito inteligentes. GRUPO KIMBUNDU Domina uma vasta extensão entre o mar e o rio Cuango. A sua formação apresenta-se confusa, talvez posterior ao séc. XV. É fruto de muitos cruzamentos. Os antigos Kimbundus foram notáveis organizadores de estados e contam na sua história afamados sobas guerreiros. Sob a autoridade de um rei (Ngola), os portugueses instituíram no séc. XVI o reino de Angola. O padrão étnico Kimbundu caracteriza-se por uma ampla miscigenação, muito acentuada na zona de Luanda, havendo no entanto, alguns tipos genuínos. Desenvolveram uma agricultura evoluída, incluindo o café. Nas ilhas que circundam Luanda, comunidades Kimbundas fizeram da pesca o seu material e espiritual modo de vida, mormente os Muxiluanda. Os Luandas, no seu profundo gosto pelos festejos carnavalescos, expresssam a sua ancestral propensão para espetáculos folclóricos aparatosos e cultivaram em tempos, na ilha de Luanda, um culto à sereia (kianda). As populações Kimbundas do litoral encontram-se muito integradas no tipo de vida ocidental, participando ativamente em variadíssimos sectores da vida nacional. GRUPO LUNDA-QUIOCO Ocupa uma extensa área que vai desde a fronteira nordeste até ao sul. São os quiocos o corpo étnico mais importante. Oriundos da África Central, emigraram massivamente no séc. XVII para sul, estabelecendo-se no sul da Lunda. Depois de longo período de lutas, foi somente no séc. XIX que os quiocos conseguiram formar os territórios lundas, expandindo-se rapidamente para o norte e para o sul. O largo derrame quioco levou este povo a transbordar para além das fronteiras de Angola, encontrando-se dele alguns núcleos no Congo e na Zâmbia. Consequentemente, o xadrez somático dos quiocos apresenta-se bastante variado. A designação “lunda-quioco” é de ordem histórica; na realidade, predominam os quiocos. Este povo, oriundo de uma velha cultura de caçadores savânicos, apresenta-se activo e industrioso e revelou-se particularmente perito nas técnicas siderúrgicas, produzindo um ferro de alta qualidade. Os quiocos mantiveram de tempos em tempos, admiráveis escolas de escultura e são artesãos polivalentes e de grande habilidade. Caracterizam-se por uma acentuada unidade cultural, são bons construtores de habitações e muito aptos para o negócio. Dotados de um vivo sentido de assimilação, cruzam-se com a quase totalidade das etnias que contactam, estabelecendo colónias por toda parte. As instituições e cultos referidos à caça são predominantes e ainda conservam o regime de matriarcado. O amor às viagens e à caça, um espírito comercial, a oratória, um bom poder de comunicação e de sociabilidade são os traços mais carismáticos dos quiocos. GRUPO MBUNDO OU OVIMBUNDU Sendo um dos mais numerosos, este grupo ocupa um vasto espaço a meio da metade centro-oeste de Angola, subindo da beira-mar para as terras altas. O grupo etnolinguístico mbundu é constituído por quinze sub-grupos principais, sendo particularmente notáveis os Bienos e os Bailundos. Eles constituem uma síntese dos povos angolanos. Foram viajantes incansáveis do subcontinente e ainda hoje mantém uma grande tendência migratória. Dizem-se originários das terras a nordeste, mas, segundo alguns entendidos, terão vindo provavelmente do sudeste do Congo. Ficaram célebres na região Mbundu, as “guerras dos Nanos” com início em 1803 e que assolaram durante um século as terras do planalto e do sudeste. A maior, eclodiu em 1848, sendo o grosso das hordas composto por gentes do Huambo, um dos subgrupos dos Mbundu. Do ponto de vista sócio político possuíam os Mbundu notáveis organizações e construíram fortes muralhas defensivas, algumas delas inexpugnáveis para a época (quissanje e quiquete). São características comuns à maior parte dos grupos Mbundu uma grande propensão para actividades agrícolas e pecuárias. Nas artes, foi relevante a sua escola de esculturas animalísticas. São tidos como os povos que melhor aceitam os padrões da cultura ocidental, sendo aliás desta etnia, o maior número de sacerdotes de Angola. GRUPO N'GANGUELA Este povo apresenta-se repartido por dois territórios, um na fronteira leste e outro nos ramos superiores do rio Cubango. A agricultura na época das chuvas, a criação de gado, pesca lacustre e a apicultura, constituem as principais actividades económicas. O subgrupo N'ganguela de mais nomeada é o Luena, antigos Lunda-Quiocos que adoptaram a língua dos N'ganguelas e tomaram fortes influências culturais do Zimbabwe. Foram notáveis fundidores de ferro e praticam ainda hoje uma cerâmica admirável, negra e polida, de modelação artística. Como aspectos sociais, predomínio dos ritos de passagem masculinos. Nas artes, manufaturam alguma escultura e uma curiosa série de máscaras. Alguns etnólogos admitem serem os N'ganguelas os povos bantu mais antigos do país. GRUPO NYANEKA-HUMBE Este grupo encontra-se fixado nos territórios do curso médio do rio Cunene. Admite-se serem os Nyaneka os mais antigos. Esta etnia possui notável organização de chefia Jaga, à data da criação do estado do Humbe-Onene. É formada por criadores e pastores de gado e entre os Humbes encontram-se alguns dos grandes proprietários de manadas. A sua economia é agropecuária, com predomínio desta última, à semelhança dos seus vizinhos, Ambós e Hereros. A região dos Humbes, foi afligida a partir de 1881 pela invasão dos Hotentotes da Namíbia que chegaram às margens do Cunene. À semelhança dos agricultores do norte, os terrenos de cultivo não constituem propriedade individual. Também os pastos são comuns. Entre os Humbes encontramos, no entanto, uma espantosa organização do espaço. No plano cultural expressam, à semelhança dos Ambós e dos Hereros influências da cultura camítica oriental manifesta na instituição do “gado sagrado”. O cortejo do boi sagrado, praticado anualmente entre os Nyanekas, é tido como reminiscência do culto do boi Ápis dos velhos altares do Nilo. No aspecto artístico, os Humbes cultivam o adorno do corpo e curiosos penteados, produzindo vestuário e ornatos de variada natureza, incluindo a confecção de pulseiras metálicas, finamente gravadas. Na vida social, particular evidência para os ritos de puberdade feminina. Os Humbes revelam ao observador a existência de uma elite dotada de uma notável inteligência prática. GRUPO AMBÓ Ocupa um vasto território ao sul do país. Em tempos foram conhecidos por Banctubas. Entre as suas populações, destaque para o sub-grupo Kwanyama. Dedicam-se à agro-pecuária. Os Kwanyamas ganharam celebridade no passado, pela audácia dos seus assaltos aos currais alheios e por certa organização militar. Na vida social, caracterizam-se pelo matriarcado, conquanto seja o homem o detentor da autoridade e o defensor qualificado dos direitos. O regime de parentesco é regido segundo a linhagem uterina. Apresenta-se muito interessante a organização familiar dos Kwanyama, espécie de associação de trabalho nas “quintas”, local onde vivem, formadas por estacarias em disposição labiríntica, permitindo fácil acesso somente a quem conheça o traçado. São bons caçadores e hábeis cavaleiros. Manifestam um evidente gosto pela equitação e possuem muitos cavalos, cuja existência é para eles motivo de prestígio. Bravura, inteligência e altivez, são as características mais marcantes dos Kwanyama. GRUPO HERERO É constituído pelos criadores de bois mais típicos e detentores dos melhores pastos de Angola. Os Cuvales constituem o sub-grupo mais notório. Do ponto de vista cultural, praticam a arte do adorno. É típico da mulher Cuvale o turbante de pele de carneiro e na mulher Ximba a touca triorelhuda de cerimónia. As mulheres Ximbas destacam-se aliás, pelo seu esmero no adorno e no vestuário. São elas as mais elegantes entre as etnias do Sudeste. Admite-se que os Hereros sejam provenientes do Nordeste africano e tenham tido uma cultura camítica quase pura. Mantém o culto das vacas sagradas e veneram os espíritos dos defuntos. Os Cuvales são excelentes guias e caçadores. Hábeis, decididos e independentes, ganham afeição aos amigos, mas tornam-se perigosos quando maltratados. Não admitem cruzamentos com outros povos e nutrem um desprezo que pode ir do exagero por outros grupos étnicos que consideram inferiores. GRUPO XINDONGA São poucos e encontram-se no ângulo Sudeste de Angola entre os rios Cubango e Cuando. São os Mucussos o seu grupo mais importante. Praticam uma agropecuária em pequena escala. As fundições, os instrumentos musicais e os adornos, constituem as manifestações artísticas e técnicas mais evidentes deste grupo, sendo também hábeis no artesanato de madeira e trajes de pele de animal. A sua cultura é uma mistura de padrões dos caçadores, pastores e agricultores com grandes influências do Leste. PROVÍNCIAS LUANDA Capital: Luanda. Área: 2.417.78 km2. População: 2.494.305 habitantes. Municípios: 10 - Luanda (que inclui os municípios de Cazenga, Ingombota, Kilamba Kiáxi, Maianga, Rangel, Samba e Sambizanga), Cacuaco, Viana. Clima: Tropical. Agricultura: Productos variados. BENGUELA Capital: Benguela. Área: 39.826.83 km2. População: 1.400.000 habitantes. Municípios: Lobito, Bocoio, Balombo, Ganda, Cubal, Calombambo, Benguela, Baía Farta, Chongoroi. Clima: Temperado. Minerais: Industria mineral. Outros: Pesca e Indústria pesqueira. HUÍLA Capital: Lubango. Área: 79.022 km2. População: 1.078.215 habitantes. Municípios: Quilengues, Lubango, Humpata, Chibia, Chiange, Quipungo, Caluquembe, Caconda, Chicomba, Matala, Jamba, Chipindo, Kuvango. Clima: Tropical, Semi-árido. Agricultura: Produtos variados. NAMIBE Capital: Namibe. Área: 57.091 km2. População: 131.600 a 220.000 habitantes. Municípios: 5 - Namibe, Camaculo, Bibala, Virei, Tômbua. Clima: Semi Árido e Desértico. Produtos: Peixe, sal. MOXICO Capital - Luena. Área: 223.023 km2. População: 230.000 habitantes. Municípios: Moxico, Camanongue, Léua, Cameia, Luau, Lucano, Alto Zambeze, Luchazes, Bundas. Clima: tropical de altitude, Principais produtos agrícolas: arroz, mandioca, milho, amendoim, madeira. Minerais: carvão, cobre, manganês, ferro. Outros: peixe, avicultura. CUNENE Capital: Ondjiva. Área: 87,342 km2. População: 200.000 habitantes. Municípios: Cuanhama, Ombandja, Cuvelai, Curoca, Cahama, Namacunde. Clima: tropical seco. Principais produtos agrícolas: milho, massango, massabala, feijão, horticultura. Minerais: ferro, cobre. Outros: pecuária, peixe. KUANDO KUBANGO Capital: Menongue. Área: 199.049 km2. População: 140.000 habitantes. Municípios: Menongue, Cuito-Canavale, Cuchi, Cuangar, Longa, Mavinga, Calai, Dirico, Rivungo. Clima: tropical de altitude/seco. Principais produtos agrícolas: massango, massambala, milho, mandioca, feijão, horticultura. KWANZA NORTE Capital: N'dalatando. Área: 24.110 km2. População: 400.000 habitantes. Municípios: Cazengo, Lucala, Ambaca, Golungo Alto, Dembos, Bula Atumba, Cambambe, Quiculungo, Bolongongo, Banga, Samba Cajú, Gonguembo, Pango Alúquem. Clima: tropical húmido. Principais produtos agrícolas: café, palmares, girassol, arroz, algodão, banana, horticultura, cana de açúcar, feijão, mandioca. Minerais: minerais radioativos, cobre. Outros: Pecuária. MALANGE Capital: Malange. Área: 97.602km2, população: 1.000.000 habitantes. Municípios: Massango, Marimba, Calandula, Caombo, Cunda-Dia-Baza, Cacuso, Cuabanzoge, Quela, Malange, Mucari, Cangandala, Cambundi-Catembo, Luquembo, Quirima. Clima: Tropical húmido. Principais produtos agrícolas: algodão, mandioca, amendoim, feijão, milho, girassol, arroz, sisal. Minerais: diamantes, minerais radioativos, cobre. Outros: pecuária. HUAMBO Capital: Huambo. Área: 34.270 km2. População: 1.000.000 habitantes. Municípios: Huambo, Londuimbale, Bailundo, Mungo, Tchindjenje, Ucuma, Ekunha, Tchicala, Tchiloango, Cahiungo, Longonjo, Caála. Clima: Tropical de altitude. Principais produtos agrícolas: milho, feijão, batata, batata-doce, trigo, citrinos, horticultura, mandioca, arroz. Minerais: ferro, volfrânio, barite, ouro, manganês, urânio. Outros: Pecuária. BIÉ Capital: Kuito. Área: 70.314 km2. População: 790.000 habitantes. Municípios: Kuito, Andulo, Nharea, Cuemba, Cunhinga, Catabola, Camacupa, Chitembo, Chinguar. Clima: tropical de altitude. Principais produtos agrícolas: citrinos, arroz, feijão, milho, sisal, banana, horticultura, café. Minerais: diamantes, manganês, ferro. Outros: pecuária. LUNDA SUL Capital: Saurimo. Área: 77.637 km2. População: 120.000 habitantes. Municípios: Saurimo, Dala, Muconda, Cacolo. Clima: tropical húmido. Principais produtos agrícolas: arroz, mandioca, milho, horticultura. Minerais: diamantes, manganês, ferro. Outros. Pecuária. KWANZA SUL Capital: Sumbe. Área: 58.698km2. População: 580.000 habitantes. Municípios: Sumbe, Porto Amboim, Quibala, Libolo, Musssende, Amboim, Ebo, Quilenda, Conda, Waku Kungo, Seles, Cassongue. Clima: tropical seco e de altitude. Principais produtos agrícolas: palmares, algodão, sisal, café, banana, ananás, milho, arroz, girassol, citrinos. Minerais: quartzo, barite, cobre. Outros: peixe, pecuária. UÍGE · Capital: Uíge. Área: 58.698 km2. População: 500.000 habitantes. Municípios: Maquela do Zombo, Quimbele, Damba, Mucaba, Macocola, Bembe, Songo, Buengas, Sanzapombo, Ambuila, Uíge, Negage, Puri, Alto Cauale, Quitexe. Clima: tropical húmido. Principais produtos agrícolas: café, feijão, mandioca, milho, amendoim, algodão, madeira. Minerais: cobre, polimetálicos de prata, cobalto, calcário. BENGO Capital: Caxito. Área: 33.016 km2. População: 300.000 habitantes. Municípios: Caxito, Dande, Ambriz, Icolo, Muxima e Nambuangongo. Clima: tropical seco. Principais produtos agrícolas: algodão, mandioca, palmares, citrinos, horticultura, banana. Minerais: enxofre, sal-gema, fosfatos, calcários, quartzo. Outros: peixe. LUNDA NORTE Capital: Lucapa: Área: 103.000 km2. População: 250.000 habitantes. Municípios: Tchitato, Cambulo, Chitato, Cuilo, Caungula, Cuango, Lubalo, Capenda Camulemba, Xá Muteba. Clima: tropical húmido. Principais produtos agrícolas: arroz, mandioca, milho, palmares. Minerais: diamantes. Outros: pecuária. ZAIRE Capital: M'banza Kongo. Área: 40.130 km2. População: 47.000 habitantes. Municípios: M'banza Kongo, Soyo, N'zeto, Cuimba, Noqui, Tomboco. Clima: tropical húmido. Principais produtos agrícolas: mandioca, algodão, banana, cacau, milho, soja, caju, café, amendoim. Minerais: petróleo, fosfatos. Outros: peixe. CABINDA Capital: Cabinda. Área: 7.270 km2. População: 100.000 habitantes. Municípios: Cabinda, Cacongo, Buco-Zau, Belize. Clima: equatorial. Principais produtos agrícolas: café, cacau, palmares, mandioca, milho. Minerais: petróleo, fosfatos, urânio, ouro, potássio. Outros: madeiras preciosas.
|