Ao falar das sopas
mais difundidas e preferidas, em terceiro lugar,
depois de Chtchi e Borchtch, deve ser colocar o
Rasolnik, qual seja, sopa de carne com
pepinos salgados. Hoje vamos falar precisamente
dessa tradicional sopa russa.
Um ditado popular russo diz: “Cada produto
salgado tem a sua salmoura”. Isso não é
casual. Desde tempos
remotos os russos tinham atração pelas
salmouras, que eram inúmeras: de repolho,
de peras, de melancias, de maçãs e
até mesmo de cerejas! Antes considerava-se ser grande arte salgar
o produto de forma a obter uma boa salmoura.
A cozinha russa tinha muitos pratos, nos
quais os principais ou secundários componentes
eram as diferentes salmouras. Nas casas abastadas,
nas quais o almoço e a janta consistiam de
diversas alterações, uma das quais
era a de salmouras – para o almoço serviam
pratos, que
tinham como componente a salmoura. Usava-se com
amplitude especial a salmoura de pepinos (aliás,
na Rússia os pepinos são salgados
sem acrécimo de vinagre). A quantidade da
salmoura na sopa em preparação, a
sua concentração e combinação
com outros produtos fundamentais, como peixe, carne,
legumes e sêmolas era tão diversificada,
que surgiram vários pratos diferentes: kalha,
solhánka e, finalmente, rassólnik.
Cada
prato tinha as suas peculiaridades. Por exemplo,
a kalha era preparada quase tal qual a ukhá
(lembram, nós falamos há bem pouco
dessa sopa de peixe?), mas no caldo de peixe acrescentavam
a salmoura de pepinos. Nas kalhas antigas o componente
obrigatório era o caviar, Atualmente a kalha
praticamente desapareceu dos cardápios russos.
É uma pena. Já a solhánka é
uma sopa com caldo de carne bovina, com gosto ácido
concentrado. Sobre a sopa solhánka nós
já falamos também. O rassólnik,
do qual tratamos hoje, tem um gosto ácido-salgado
moderadamente picante. Antes era um prato geralmente
vegetariano e no melhor dos casos no rassólnik
acrescentavam subprodutos (rins bovinos ou de rezes,
ou miudos de ave doméstica), todavia, as
donas de casa modernas preferem preparar também
essa sopa com caldo de carne com acréscimo
de gordura bovina. Assim pois, atenção,
vamos dizer quê ingredientes são usados
no rassólnik moderno:
5 ou 6 batatas médias, um copo de
sêmola de cevadinha ou trigo, cenoura, raiz
de salsa, uma cebola, dois pepinos salgados médios,
uma colher das de sopa de massa de tomate, meio
copo de salmoura de pepinos, dois litros de caldo
de carne, especiarias.
Devo salientar que, o gosto do rassólnik
depende em muito da qualidade dos pepinos salgados
e da salmoura, por isso é necessário
prestar atenção especial para isso.
Devem ser usados pepinos salgados
sólidos que estalejam, ou seja mais
miudos, pois os pepinos com sementes graudas devem
ser , desculpem pela palavra, “destripados”. Já
a salmoura deve possuir um aroma agradável.
Agora, quando sabemos quê
ingredientes são necessários para
a sopa rassólnik, vamos tratar da sua preparação.
Inicialmente é indispensável
escolher e lavar a sêmola, despejá-la
em três copos, quase cheios, de água
fervente, pôr no fogo e cozê-la até
a maciez, depois do que separar o caldo.
Cortamos a batata em barrinhas, a cenoura e
a raiz de salsa em cubinhos e a cebola em semi-circulos.
A cenoura, a salsa e a cebola devem ser ligeiramente
fritas em azeite, com acréscimo da massa
de tomate.
Agora vamos tratar dos pepinos.Eles devem
ser cortados ao longo em quatro partes, fazer a
fervura de uns 5 minutos em pequena quantidade de
caldo. A salmoura também deve ser fervida.
No caldo em ebulição botamos
a sêmola amaciada e cozemos por uns 15 minutos,
depois do que acrescentamos a batata, 5 – 10 minutos
depois, a cenoura, salsa e cebola fritas, dentro
de mais uns 5 minutos acrescentamos os pepinos picados
e as especiarias. No fim do cozimento a sopa rassólnik
deve ser temperada com salmoura de pepinos e salgada
(Aí são vocês que resolvem se
devem ou não salgar e em que quantidade).
Ao ser servida, no prato de sopa rassólnik
aderimos nata à gosto. Com isso poderiamos
concluir, pois a sopa rassólnik está
pronta, mas devo dizer que, antigamente
junto com a sopa rassólnik, no lugar
do pão eram servidos obrigatoriamente bolinhos
que se chamam “rasstegái”. Por isso,
vamos falar deles um pouco.
“Rasstegái” é um bolinho,
que tem na parte superior um orifício. O
“rasstegái” sempre foi popular na Rússia.
Nos séculos XIX e XX eles eram servidos praticamente
em qualquer taberna, ao passo que os taberneiros
competiam pelo direito de considerarem-se os melhores
na preparação desses bolinhos.
O recheio para o “rasstegái”, via de
regra, é preparado de peixe. Por isso, para
se preparar o “rasstegái” é indispensável
ter filé de peixe, bem como cebola, pimenta
do reino, sal e massa fermentada de farinha de trigo.
Fritamos o filé de peixe bem picado junto
com a cebola. Não esqueçam de salgar
o recheio!
A massa é cortada em pedaços
pequenos e aberta com uma espessura de aproximadamente
um centímetro. No meio da massa aberta colocamos
o recheio e começamos fechar duas bordas
da massa para que a “costura” fique na parte superior.
No meio dessa “costura” as bordas não devem
ser fechadas, alí ficará o orifício,
através do qual é visto o recheio.
Deixamos os bolinhos “rasstegái” descansar
uns 20 minutos, depois do que levamos ao forno até ficarem prontos.