O mel de abelha é um produto querido
na Rússia desde longa antiguidade, por possuir
qualidades gustativas e nutritivas insuperáveis.
Não é por acaso que o povo denominou
de “Lua de Mel” (em russo “Medóviy
Méciats”) um dos períodos mais
felizes na vida dos conjuges, aliás, “méciats”
em russo é Quarto Crescente da Lua e também
“mês”. Mas, vamos ao mel. Ele
passou a fazer parte tão solidamente da vida
do povo russo,
que é pouco provável que um
russo possa imaginar a vida sem o mel. Passaram a fazer parte
para sempre da lingua russa expressões como
“a vida não é mel” ou
então a frase do conto de fadas do grande
poeta russo Alexándr Púchkin “eu
também estive lá, tomei mel –
cerveja acolá”. Até o século XVIII a Humanidade
desconhecia o açucar, em compensação
os nossos ancestrais conheciam muito bem desde as
fraldas o gosto do mel. Nas mesas dos nossos antepassados
o mel sempre esteve presente.
A apicultura foi uma ocupação
predileta já dos eslavos antigos. No século
V antes de Cristo o historiador Heródoto
escreveu sobre essa propensão nas terras,
posteriormente habitadas por eslavos orientais.
No século X , quando começou
a se formar a Rússia de Kíev, inicia-se
o desenvolvimento da apicultura como ramo de produção,
o que era propiciado pelas inabarcáveis amplitudes
das matas e dos pastos. O mel era usado na alimentação
e na produção de refrigerantes, ao
passo que a cera servia para a iluminação
doméstica, velas, às necessidades
religiosas. Os russos mantinham um intenso comércio
de mel e cera com os gregos e as Cidades-Repúblicas
de Veneza e Gênova.
Na Rússia eram bem conhecidas as qualidades
nutritivas e medicinais do mel. O mel era usado
no tratamento de diversas doenças, bem como
chagas superficiais. Em muitos manuscritos russos antigos o
mel é denominado de valioso recurso medicinal.
As fontes literárias comprovam que o emprego
medicinal do mel é mais recomendado no tratamento
externo, em vista da sua ação antesséptica,
tanto nas receitas da medicina popular, como da
tradicional. Os “curadores” russos empregavam
o mel no tratamento de feridas, chagas, exemas,
furúnculos, doenças intestinais, etc,
etc. Um vertical ascenso no desenvolvimento da apicultura
começou com a expansão do cristianismo,
pois para os seus rituais religiosos requeria-se
grande quantidade de cera.
Os usurários preferiam cobrar a porcentagem
dos créditos em cera. Em troca de cera a
igreja perdoava os pecados.
Foi muito popular na Rússia a bebida-refrigerante
feita de mel, com pequeno teor de álcool
- a “medovúkha”,
pelo gosto muito semelhante à cerveja, mas
mais doce. Até hoje na mesa russa está
sempre presente o mel: nos dias de festa ele é
adicionado às tortas e bolos, já num
almoço habitual o mel é usado como
molho para diversos pratos, muitos acrescentam mel
ao chá. Na Rússia é conhecida
uma infinidade de tipos de mel:
de flores de trigo sarraceno, de tília,
florestais e campestres. Cada tipo de mel tem o
seu gosto, aroma e suas qualidades medicinais e
cosméticas específicos. Já
o célebre médico e filósofo oriental
Avicena, que viveu nos anos 980 a 1.037,
dizia:
“Se queres preservar a mocidade, use
sem falta o mel na alimentação”.
Nós vamos propôr à vocês,
fãs da Caipiróvskaya, a receita do
“priánik”, ele já foi
por nós descrito num dos programas, hoje
se tratará do priánik de mel, ou seja,
pão de mel, ou mais concretamente ainda,
torta de mel com recheio, que na Rússia é
chamado também de “pahlavá”.
Este prato gostoso e nutritivo pode embelezar qualquer
mesa festiva, mas, como ele é simples na
preparação, pode ser feito também
nos dias habituais.
Assim,… “priánik” (torta) de mel com
recheio de nozes.
Para a preparação
de tal torta são necessários: 150
gramas de mel, 400 gramas (ou mais) de farinha de
trigo, 200 gramas de açucar em pó,
50 gramas de manteiga, 3 ovos, 50 gramas de casca
de laranja cozida em açucar (confeitada),
meia colherinha das de chá de canela moida,
meia colherinha das de chá de (anis) herva
doce, casca de metade de uma cidra , 5 gramas de
bicarbonato.
Para o recheio deve-se preparar 100 gramas
de mel, 50 gramas de açucar em pó,
120 gramas de nozes, 2 colheres das de sopa de migalhas
de pão de mel (ou torradas de pão
de farinha de trigo em migalhas), uma colher das
de sopa de rum.
Como fazer a massa: o mel, a manteiga derritida, os ovos, o
açucar, as confeitadas de laranja e a casca
de cidra bem picadas, a canela e
o anís (ou herva doce) e o bicarbonato
batemos muito bem até o aumento do volume
da mescla. Mexendo constantemente acrescentamos
a farinha de trigo. Colocamos
o produto na tábua e fazemos uma massa
não muito dura, que deixamos descansar
da tarde até a manhã do dia
seguinte. Dividimos a massa pela metade e abrimos em duas folhas. Uma das folhas
colocamos na forma ou assadeira untada.
Misturamos os ingredientes do recheio pela
ordem e dispomos regularmente na folha da massa,
em seguida cobrimos com a segunda folha e levamos
ao forno com temperatura branda até dourar.
Despejamos o “priánik” (ou como
queiram; pão de mel, ou torta de mel) ainda
quente, deixamos esfriar, cobrimos com doce de frutas
e polvilhamos com nozes trituradas.