Hoje a história da culinária versará sobre um
dos pratos muito apreciados dos russos – o piróg, ou seja, torta, bolinho, pastelão.
Inicialmente o piróg era preparado na
Rússia antiga exclusivamente para os dias de
festa. A
própria palavra “piróg”,
deriva da palavra
originária “pir”, ou seja,
banquete, festejo, indicando que nenhuma mesa festiva,
banquete, podia prescindir do piróg (torta
ou bolinhos), o que serviu de motivo de tão
invulgar diversidade do piróg, bolinho, russos,
tanto pelo seu aspecto externo, como pela sua massa
de farinha, recheios e pelo gosto.
A tão prolongada existência do
piróg (torta e bolinho) como prato prediléto
se explica em considerável grau também pelo fato, de eles terem se tornado, pode-se
dizer, uma forma muito cômoda de alimentação
concentrada. Frequentemente o piróg (torta,
bolinho, pastelão) constituia literalmente
o habitual almoço caseiro dos russos,
ou seja, pão, sopa de legumes e hortaliças,
papa, pois o piróg
geralmente era recheado com repolho, nabo,
papa e cogumelos. O piróg servia de almoço
no trabalho e era companheiro de viagens. Aliás,
foi precisamente naquele período que surgiu
o provérbio: “V piróg vsió
zavernhóch”, o que em português
quer dizer – “No piróg pode-se
enrolar tudo”.
No almoço nacional russo clássico o piróg
é sempre servido depois do prato de peixe,
pois o piróg (geralmente bolinhos) é
servido mais um segundo prato, via de regra
é a carne à jardineira (ou assada),
já na variante mais simples de almoço
o piróg é servido logo após a
sopa ou o segundo prato.
A meados do século XIX tornou-se hábito,
principalmente nos restaurantes, servir “kulebiáka”,
“rasstegái”, ou seja, pastelões
(tipos especiais de torta ou bolinho) e bolinhos com
recheio de papa, junto com os correspondentes primeiros
pratos, quais sejam, caldo de carne, sopa de peixe
(ukhá, de que já falamos) ou sopas de
legumes. O conhecido escritor e publicista russo
Guilharóvski conta em seu livro “Moscou
e moscovitas”
que os grandes negociantes russos íam à
restaurantes rigorosamente definidos para “saborear
uma kulebiáka ou um rasstegái”.
No começo do século XX
os bolinhos folhados passaram a ser servidos
também como
entradas para o café da manhã
ou separadamente para a merenda ou para o jantar.
As tortas e bolinhos doces sempre eram servidos ao
chá.
Inicialmente, nos séculos XII –
XIV as tortas e bolinhos eram preparados no fundamental
de farinha de centeio, ao passo que atualmente
é usada farinha de trigo. A liberdade de escolha
dos principais componentes da massa para o piróg
gerou o surgimento de inúmeras variações,
em consequência do que as tortas e os bolinhos
de cada dona de casa se distinguem pela conhecida
individualidade. Ao mesmo tempo existem também
determinadas tradições. Por exemplo:
a massa para a torta ou bolinho russos sempre
deve ser ácida, com fermento.
Agora preparem papel e lápis para anotar a receita dos admiráveis pelo gosto e muito nutritivos (piróg) bolinhos russos, que se chama “kulebiáka”.
A nossa “kulebiáka” se chama
“Grande kulebiáka da Anunciação”
e para a sua preparação vocês
necessitarão:
Para a massa: 400 gramas de farinha de trigo, 25-30 gramas de fermento, meio copo d’agua, 100 gramas de azeite, uma pitada de sal, açucar à
gosto.
Para o recheio
de peixe: 400 gramas de filé de bagre, uma colher das de sopa de azeite, duas
colheres das de sopa de pão torrado triturado, uma cebola, sal, pimenta do reino à gosto.
Para recheio de
arroz: um copo de arroz, copo e meio d’agua, uma colher das de sopa de azeite, uma colherinha
das de chá de sal, 300 gramas de filé
de peixe (de qualquer espécie, gorduroso).
Prepare a
massa fermentada, sendo que ela deve levedar-se duas
vezes. Enquanto a massa está em fase preparatória,
cozinhe o arroz. È melhor cozer o arros em
panela de pressão ou em panela com tampa hermética,
para que não escape vapor .
O arroz (um
copo) lavado em três águas bota-se na
panela com copo e meio d’agua fervente, salga-se,
fecha-se a panela e leva-se ao fogo, para: 3 minutos
em fogo forte, 6 minutos em fogo brando, 3 minutos
em fogo mínimo, depois, sem destampar, mantê-lo
mais 12 minutos, mas foira do fogo. Depois de pronto,
o arros é posto numa forma untada e levado
ao forno até que fique ligeiramente dourado.
O filé
de bagre é passado duas vezes pela máquina
de moer junto com a cebola,acrescenta-se o sal, a
pimenta do reino e mistura-se bem.
Depois de pronta
a massa, ela deve ser aberta em duas rodelas ovais
com a espessura de um dedo (sendo que a destinada
a ser inferior deve ser um pouco mais grossa que a
superior). No centro do oval inferior coloca-se em montículo, por camadas, o peixe moido misturado com
o arroz, por cima a camada de pedacinhos de filé
de peixe, e mais uma vez peixe moido misturado com
arroz. As bordas do oval de massa devem ser fechadas
e pregadas solidamente por sobre o recheio. A superfície da “kulebiáka”, bolinho,
pode ser enfeitada com elementos de massa.
O bolinho preparado leva-se à local
morno por uns 15-20 minutos. Antes de levar a kulebiáka
ao forno, unte a sua superfície com manteiga
derretida e fure com garfo em vários pontos,
ponha na forma com papel embebido em manteiga e leve
ao forno com a temperatura de 210-220 graus Centígrados.
Se quiser fazer
a kulebiáka, bolinho, com vários recheios,
então cubra cada camada de recheio com massa
aberta bem fina. Aí vai a receita da kulebiáka
multirecheada:
Para kulebiáka
com recheio de carne:
3 copos de leite, 2 copos de farinha de trigo,
2 ovos, 25 gramas de manteiga,
meia colherinha das de chá de açucar
e meia colherinha das de chá de sal.
Misturar as gemas
dos ovos com o sal, o açucar e a manteiga e
diluir gradualmente com o leite, depois, também
gradualmente, misturar com a farinha, transformando
em massa semi-líquida, coar pelo passador e
acrescentar a branca dos ovos batida. Despejar na frigideira
a massa em camada bem fina e frigir de ambos os lados
por 1-2 minutos.
Para as “kulebiákas”
com recheio de peixe e cogumelos, são necessários: um quarto de copo de leite, um quarto de copo de azeite, uma colher das de sopa de água, um e meio ou dois copos de farinha de trigo
e um quarto
de colherinha das de chá de sal.
Amassar a massa
grossa, abri-la em camada
fina, estendê-la à uma espessura
de um milímetro, recortá-la segundo
o tamanho da kulebiáka e levar ao forno com
fogo muito ameno por uns 3-4 minutos (ou melhor, secar
os ovais). É tudo… agora, mãos
à obra, sucessos e boa sorte e bom apetite!