Cozinha russa - Bebidas alcoolicas da Rússia
 

            Vamos discorrer sobre as bebidas alcoólicas russas, em particular, sobre a vodka e as originais infusões, que podem ser preparadas na sua base. A tradição de consumo de fortes bebidas alcoólicas conta já com centenas de séculos. Os gregos antigos reverenciavam o Deus do Vinho Dionísio, o vinho foi decantado pelo poeta de Roma Ovídio e pelo seu colega persa Omár Hayám. Os poetas russos também não deixaram de prestar atenção às bebidas espirituosas.Todavia, na Rússia, desde tempos antigos havia duas noções à este respeito: tomar e embriagar-se. Até o batismo cristão a bebida alcoólica era usada somente em três casos: nascimento de criança, vitória frente ao inimigo e funerais. Entre as bebidas alcoólicas de então eram particularmente famosos os vinhos de mel e diversas espécies de cerveja. A vodka também tinha grande aprêço, mas era utilisada como milagrosa infusão com hervas medicinais para uso externo e interno: tratamento de feridas ou chagas, era usada como analgésico, sendo que, no máximo meia colher.

         No século XVI o czar russo Ivan, o Terrível ordenou construir para a sua guarda pessoal, os opríchniki, uma casa especial para tomar bebidas, á qual foi dado o nome à moda tártara “kabák”, ou seja, taberna. E já à partir  de 1.555 as tabernas (kabáks) começaram surgir também em outras cidades da Rússia. Sendo que, das tabernas podia servir-se apenas o povo simples. Às pessoas de outras classes era permitido tomar bebidas alcoólicas somente em casa, ao passo que as pessoas de trabalho intelectual e artístico eram “proibidas em geral” a consumir bebidas alcoólicas. Passaram consumir mais bebidas alcoólicas do que nunca nos anos da governança do imperador Pedro, o Grande, conhecido pelo seu grande amor aos banquetes ruidosos e alegres.

        A partir de meados do século XVIII a produção de aguardente passou a ser privilégio da nobresa. Aliás, muitos fazendeiros consideravam ser prestigioso ter em casa vodka com infusão e hervas, bagas e frutas em todo o alfabeto russo: do anis (A) até “yábloco”) maçã (Yá). O nível cultural de consumo de aguardentes naquela êpoca era muito elevado. Considerava-se como principal preservar a leveza da razão e a sensatez na apreciação. A regra fundamental de qualquer banquete ou festa daquele tempo era não acompanhar a bebida alcoólica com comida ou petisco, mas com água ou outro líquido.

        No século XIX o grande químico russo Mendeléev elaborou  a base teórica do ramo produtor de aguardente. Ele deu  à palavra generalizada “vodka” características científicas e mercantís precisa, dando-lhe a seguinte definição:  vodka é um produto, cujo ingrediente fundamental é o alcoól de centeio, diluido em peso com água suave de fonte natural até 40 graus. Em 1894 a composição “mendeleeviana” da vodka foi patenteada na Rússia como principal bebida alcoólica nacional. Aliás, a vodka produzida fora da Rússia, não é vodka, pois é feita de outras espécies de centeio e sem a água doce análoga à russa. Dito em outras palavras, os índices biológicos e  geográficos não possibilitam reproduzir a vodka genuina russa além-fronteira da Rússia.

    Deve-se dizer que, tomam a vodka não só tal qual ela é, ou seja, pura: em sua base preparam uma infinidade das mais diversificadas bebidas. Hoje nós vamos lhes contar como se prepara uma delas, a chamada “nalívka”, uma espécie de licor, vinho suave.

          A “nalívka” é uma bebida alcoólica do século 18. A denominação procede do adjetivo “nalivnói”, ou seja, suculento, maduro, bonito, puro. Para a “nalívka”  é usada somente a vodka russa genuina, bem retificada, e bagas ou frutas de diversas espécies. O mais importante na preparação da “nalívka” consiste em que, as bagas ou frutas devem ser bem maduras, íntegras, limpas e não amassadas. Os tipos de “nalívka” mais difundidos  são preparados de cassis, groselha, ameixa, cereja e frutas como, por exemplo, o abacaxí ou melão. Essa bebida é geralmente servida como sobremesa, com chá, bem como acréscimo à confeites e geleias. Bem, depois desta, mais ou menos, explicação, preparem papel e lápis para anotar a receita da “nalívka” russa.

    Prontos? Vamos à  “nalívka” “Tsárskaya vichnhóvka”, em português é mais ou menos “Cerejeira imperial”. Mas, vamos ao assunto:   as cerejas bem maduras devem ser secadas ao sol por um ou dois dias (devem começar grudar aos dedos e ter mais doçura) . Deixá-las esfriar à sombra, em seguida despejá-las no garrafão, ou outro recipiente, balançando-o levemente para que as cerejas se acomodem bem. O garrafão ou recipiente deve ser preenchido quase até o gargalo. A seguir despejar a vodka de modo que o liquido cubra as cerejas por um ou dois centímetros, fechar o garrafão e mantê-lo por 5 ou 6 semanas  em dependência com temperatura de 22 a 25 graus Centígrados.

          Nos primeiros 2-3 dias, quando as cerejas absorvem a vodka, é necessário acrescentar o líquido de maneira que as cerejas estejam sempre cobertas. No periodo de infusão o garrafão deve ser periodicamente chaqualhado e virado. Dez dias depois escoar o líquido, coar várias vezes através de camada tríplice de gase e expremer bem as cerejas. A coação deve ser repetida duas-três vezes. Após seis semanas deve-se engarrafar a “nalívka”, com o cuidado de não agitar a sedimentação. Segundo o gosto, a “nalívka” pode ser um pouco adocicada, aquecendo-a até 70-80 graus Centígrados junto com o açucar e sempre mexendo. Depois de pronta, a bebida deve ser engarrafada  e conservada em lugar fresco. A “nalívka”  pode ser conservada durante anos, sendo que com o tempo o seu gosto se aperfeiçoa. A porcentagem de alcoól da “nalívka” será de aproximadamente 18.20%. Ela deve ser servida  com temperatura-ambiente, ou um pouco esfriada.

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23 April, 2006
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